Investigação revelou que o parlamentar utilizava o mandato para favorecer o crime organizado, intermediando a compra e venda de drogas, fuzis e equipamentos antidrones destinados ao Complexo do Alemão

O deputado estadual Thiego Raimundo dos Santos Silva (ex-MDB), conhecido como TH Jóias, foi preso na Operação Zargun, nesta quarta-feira, por suspeita de ligação com a facção criminosa Comando Vermelho (CV). Ele foi localizado num condomínio de luxo na Barra da Tijuca, na Zona Oeste do Rio. Já foram presos também Gabriel Dias de Oliveira, o Índio do Lixão, apontado como traficante; Luiz Eduardo Cunha Gonçalves, o Dudu, assessor de TH Jóias; o ex-secretário Alessandro Pitombeira Carracena; o delegado da Polícia Federal Gustavo Stteel, que estava de plantão no Aeroporto do Galeão; três policiais militares; e outras oito pessoas.
Além de TH Jóias, também é alvo da operação Luciano Martiniano da Silva, o Pezão. Agentes visam a cumprir, ao todo, 18 mandados de prisão preventiva e 22 de busca e apreensão em endereços, além da Barra, na Freguesia, na Zona Oeste da capital, e em Copacabana, na Zona Sul. Foram feitas buscas na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj). Policiais federais e procuradores deixaram o local com um malote contendo apreensões.

Facção se infiltrou na política e na polícia
A investigação revelou que TH Jóias utilizava o mandato para favorecer o crime organizado, intermediando a compra e a venda de drogas, fuzis e equipamentos antidrones destinados ao Complexo do Alemão, na Zona Norte do Rio. Já Índio do Lixão Índio foi responsável por movimentar, segundo a PF, 120 milhões em cinco anos. Ele é apontado pelas autoridades de segurança como braço direito de Pezão e uma espécie de tesoureiro do CV. Além de atuar na venda e na compra de armas e drogas, ele também auxiliava na proteção de integrantes da quadrilha, pagando policiais para fazerem escolta do bando.
O ex-secretário Alessandro Pitombeira Carracena é suspeito de receber dinheiro da facção para vazar informações sigilosas e atender os interesses por meio de contatos que fez na vida pública, afirma a Polícia Federal. Ele fazia pedidos dissimulados para tentar atender os pedidos dos integrantes da facção. De acordo com o superintendente da PF no Rio, Fábio Galvão, ficou claro na investigação o envolvimento do subsecretário em auxiliar o Comando Vermelho:
— Tem uma passagem da investigação que mostra que foi colocada uma unidade do Batalhão de Choque na Gardênia (comunidade na Zona Oeste do Rio). Essa unidade estava atrapalhando o CV. O subsecretário recebe uma ligação do TH, depois de falar com o Índio, e faz uma ingerência para retirar o batalhão de lá. Eles conseguiram se infiltrar na polícia e na Assembleia Legislativa. Isso é muito perigoso.
De acordo com Galvão, o objetivo do parlamentar era transparecer preocupação com a segurança pública.
— Era a “bandeira” dele. Todo o evento e tudo ligado à segurança pública, ele queria colar a imagem. Isso deixou bem claro qual era o objetivo. Enquanto isso, nos bastidores, ele era um membro importante do Comando Vermelho — explicou ele.
A Polícia Federal afirmou que ficou claro que TH atuava não só para o Comando Vermelho (CV), como também para o Terceiro Comando Puro (TCP) e a facção Amigos dos Amigos (ADA).

