Enquanto Lula defende investigação sem citar o ministro, adversários cobram afastamento de Alexandre de Moraes e pressionam o Senado

A crise envolvendo o Supremo Tribunal Federal (STF) e as suspeitas relacionadas ao ministro Alexandre de Moraes passou a ocupar espaço na campanha dos candidatos à Presidência da República. O tema ganhou força após a divulgação de informações sobre supostos encontros e troca de mensagens entre Moraes e Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.
O episódio também reacendeu no meio político a discussão sobre o impeachment de ministros do STF. Candidatos de diferentes correntes se manifestaram sobre o caso, mas adotaram posições distintas em relação ao magistrado.
Lula defende investigação sem citar Moraes
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, comentou o caso em um vídeo publicado nas redes sociais na noite de quinta-feira (3).
Sem mencionar diretamente Alexandre de Moraes, Lula defendeu que as suspeitas sejam investigadas de forma ampla e afirmou que ninguém deve ser protegido durante as apurações.
O presidente também criticou o que chamou de “vazamentos seletivos” e declarou que a democracia precisa contar com instituições fortes e respeitadas.
Lula ainda defendeu a criação de um código de ética para o Judiciário e o Ministério Público.
Flávio Bolsonaro cobra impeachment
O candidato do PL à Presidência, senador Flávio Bolsonaro, adotou uma postura mais dura em relação ao caso. Durante discurso no plenário do Senado, ele defendeu a abertura imediata de um processo de impeachment contra Alexandre de Moraes.
Flávio afirmou que considera inadmissível a existência de suspeitas envolvendo integrantes da cúpula dos Poderes sem que o assunto seja tratado como prioridade pelo Congresso.
O senador também criticou a postura dos parlamentares e cobrou uma reação do Senado diante das informações divulgadas sobre o caso.
Caiado também defende afastamento
Outro candidato que se posicionou sobre o assunto foi Ronaldo Caiado (PSD). Em entrevista, o governador de Goiás afirmou que o Senado possui maioria suficiente para analisar e votar um eventual processo de impeachment contra Moraes.
Caiado avaliou que a permanência do ministro no cargo seria insustentável diante dos elementos apresentados em relatório da Polícia Federal.
Outros candidatos se manifestam
O candidato Renan Santos, do Missão, foi além das declarações públicas e protocolou no Senado um pedido de impeachment contra Alexandre de Moraes e o ministro Dias Toffoli.
Segundo Renan, as suspeitas envolvendo os magistrados e Daniel Vorcaro precisam ser apuradas e, caso sejam confirmadas, poderiam indicar uma relação de favorecimento.
Augusto Cury (Avante) também defendeu que Moraes apresente explicações sobre as suspeitas. O candidato afirmou que, caso sejam comprovadas condutas passíveis de punição, o ministro poderia responder a um processo de impeachment.
Romeu Zema (Novo), por sua vez, criticou Moraes e defendeu tanto o impeachment quanto a prisão do ministro.
Veja o que disseram os presidenciáveis
Luiz Inácio Lula da Silva (PT): defendeu uma investigação ampla, “sem blindagem de ninguém”, mas não citou diretamente Moraes nem falou em impeachment.
Flávio Bolsonaro (PL): pediu que o Senado abra imediatamente um processo contra Alexandre de Moraes.
Ronaldo Caiado (PSD): afirmou que o ministro deveria se afastar e responder a um processo de impeachment.
Renan Santos (Missão): protocolou pedido de impeachment contra Moraes e Dias Toffoli.
Augusto Cury (Avante): defendeu que Moraes se explique e admitiu o impeachment caso sejam comprovadas irregularidades.
Romeu Zema (Novo): criticou Moraes e defendeu impeachment e prisão.
Flávio também aparece no caso Dark Horse
Apesar de cobrar o afastamento de Moraes, Flávio Bolsonaro também é citado no contexto das investigações envolvendo Daniel Vorcaro.
O senador aparece nas conversas do banqueiro relacionadas ao financiamento do filme Dark Horse, produção que retrata a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Segundo as informações divulgadas, Vorcaro teria realizado repasses para o filme, que somariam R$ 61 milhões. Um dos pagamentos teria ocorrido em setembro de 2025, após Flávio cobrar parcelas que estavam atrasadas.
Senadores da oposição pressionam pelo afastamento
Além dos presidenciáveis, senadores da oposição também defenderam o afastamento de Alexandre de Moraes, seja por impeachment ou renúncia.
Entre os parlamentares que se manifestaram estão Alessandro Vieira, Carlos Viana, Cleitinho, Damares Alves, Esperidião Amin, Flávio Bolsonaro, Izalci Lucas, Luis Carlos Heinze e Magno Malta.
Carlos Viana afirmou que considera urgente o afastamento do ministro e disse que a oposição já havia apresentado um novo pedido de impeachment.

