CPMI do INSS: Waller diz que acordo com Banco Master foi encerrado após denúnciasA afirmação foi feita durante depoimento à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito

O presidente do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), Gilberto Waller Júnior, declarou nesta quinta-feira (5) que a autarquia adotou medidas preventivas contra o Banco Master antes mesmo de ser oficialmente comunicada sobre possíveis irregularidades. A afirmação foi feita durante depoimento à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que apura fraudes envolvendo descontos indevidos em benefícios previdenciários.
Segundo Waller, o INSS optou por não renovar o acordo de cooperação técnica com a instituição financeira após o aumento de reclamações por parte de segurados.
Acordo vigente desde 2020 não foi renovado
De acordo com o presidente do INSS, o acordo de cooperação técnica com o Banco Master estava em vigor desde 2020, com validade de cinco anos. O contrato venceu em setembro de 2025 e não foi renovado por decisão da autarquia.
“O acordo terminou em agosto. Em setembro, interrompemos a cooperação. Em outubro, deixamos de assinar o termo de compromisso e notificamos formalmente a instituição”, explicou Waller, destacando que o INSS agiu de forma preventiva ao identificar indícios de problemas.
Reclamações de segurados motivaram a decisão
Waller ressaltou que a decisão de encerrar o vínculo com o banco foi tomada após a análise do volume de reclamações registradas por aposentados e pensionistas. Segundo ele, o INSS avaliou que não seria prudente manter a parceria diante do cenário apresentado.
“O aumento das queixas dos nossos segurados nos levou a entender que não era adequado renovar o acordo”, afirmou.
Mais de 250 mil contratos sem comprovação
Durante o depoimento, o presidente do INSS revelou números que chamaram a atenção da CPMI. Segundo ele, existem 324.849 contratos de crédito consignado vinculados ao Banco Master. Desse total, cerca de 251 mil não possuem comprovação formal e sequer foram inseridos na plataforma oficial do INSS.
Os dados reforçam as suspeitas de irregularidades na concessão de empréstimos consignados, um dos principais focos da investigação parlamentar.
A CPMI foi instaurada após uma série de reportagens que revelaram um esquema bilionário de descontos indevidos aplicados a aposentados e pensionistas. As denúncias resultaram em investigações da Polícia Federal e da Controladoria-Geral da União (CGU), além da deflagração da Operação Sem Desconto, em abril do ano passado.
As apurações culminaram nas demissões do então presidente do INSS, Alessandro Stefanutto, e do ex-ministro da Previdência, Carlos Lupi.

