As iniciais do Primeiro Comando da Capital (PCC) escritas nas costas do corpo da vítima

O caso do assassinato da adolescente Nicolly Fernanda Pógere, de 15 anos, ganhou novos contornos nesta sexta-feira (18), após a polícia encontrar as iniciais do Primeiro Comando da Capital (PCC) escritas nas costas do corpo da vítima, em Hortolândia, interior de São Paulo. A suspeita da polícia, no entanto, é de que a referência à facção tenha sido usada para despistar os verdadeiros responsáveis, em uma tentativa de simular envolvimento com o crime organizado.
Segundo o delegado José Regino, responsável pelo caso, os indícios apontam para uma “tentativa deliberada” de encobrir a real motivação do crime, que está sendo investigado como feminicídio com motivação passional.
O corpo da jovem foi encontrado dentro de uma lagoa no Jardim Amanda, enrolado em lençóis e lona azul, com o uso de pedras para mantê-lo submerso, um claro esforço para ocultar o cadáver. A adolescente apresentava múltiplas perfurações por arma branca, cortes profundos na região abdominal e estava esquartejada, sem os membros superiores e inferiores. A polícia classificou o crime como de “violência extrema”.
Pai identificou corpo por colar
Em coletiva à imprensa, o pai da vítima, Vinícius Marcelus, confirmou a identidade da filha ao reconhecer um colar preto que Nicolly usava frequentemente. Ele também relatou que a adolescente apresentava graves lesões no rosto:
“Uma paulada na face dela, onde estava bem inchado”, disse emocionado.
Além disso, Vinícius afirmou que a lona usada para esconder o corpo pertencia à casa do pai do principal suspeito, informação que, segundo ele, foi confirmada pelo próprio homem.
Ex-namorado e atual companheira são os principais suspeitos
De acordo com a polícia, o ex-namorado de Nicolly e a atual namorada dele estão desaparecidos desde o dia 16 de julho e são considerados principais suspeitos do crime. Durante buscas na residência do ex-companheiro, foram encontrados vestígios de sangue humano, que agora passam por análise forense.
“Os indícios reunidos até o momento conferem forte materialidade e autoria em apuração”, diz o relatório da Polícia Civil.
As autoridades não descartam o envolvimento de terceiros na execução do crime ou no auxílio para fuga dos suspeitos, que seguem foragidos. O caso é investigado como feminicídio pelo 2º Distrito Policial de Hortolândia.
Desaparecimento
Nicolly era natural de Mococa, também no interior paulista, e havia viajado para passar férias na casa do avô em Hortolândia. No dia 14 de julho, ela saiu dizendo que iria visitar o namorado no Jardim Amanda. Essa foi a última vez que a adolescente foi vista com vida.
O avô registrou o boletim de ocorrência no dia 16, quando percebeu que a neta não havia retornado. Questionado, o ex-namorado alegou que o relacionamento com Nicolly havia terminado há cerca de uma semana e que não tinha notícias dela, uma versão que agora é questionada pelas autoridades.
Crime brutal e tentativa de manipular a cena
A simulação de ligação com o PCC por meio das iniciais gravadas no corpo chamou a atenção dos investigadores pela tentativa de desviar o foco da investigação, algo que, segundo a polícia, reforça ainda mais o indício de crime premeditado.
As buscas pelos suspeitos seguem intensificadas, e a Polícia Civil continua ouvindo testemunhas e analisando provas técnicas para esclarecer os detalhes do assassinato.
Com informações assessoria

