
Um contrato de R$ 129 milhões firmado entre o Banco Master e o escritório da advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes, passou a ser alvo de questionamentos após revelações sobre os valores pagos.
De acordo com informações divulgadas pelo jornal Estadão, os honorários recebidos pelo escritório chegaram a ser até 645 vezes maiores do que os praticados por outros advogados que afirmam ter realizado serviços semelhantes em anos anteriores. A discrepância elevou o nível de atenção sobre o contrato e gerou comparações dentro do mercado jurídico.
Pagamentos mensais milionários
O escritório Barci de Moraes Advogados manteve contrato com o Banco Master entre fevereiro de 2024 e novembro de 2025. Durante esse período, os pagamentos mensais chegaram a R$ 3,6 milhões.
Ao longo do contrato, os valores recebidos somaram R$ 75,6 milhões, destinados à advogada e aos demais sócios do escritório, que incluem familiares do ministro. O montante total previsto era de R$ 129 milhões ao longo de três anos, mas o contrato foi interrompido após a liquidação do banco pelo Banco Central.
O Banco Master é ligado ao empresário Daniel Vorcaro e está no centro de investigações sobre suspeitas de fraudes financeiras bilionárias.
Especialistas apontam padrão do mercado
Profissionais da área de compliance indicam que a revisão de políticas internas segue uma periodicidade conhecida no setor. Segundo especialistas, programas desse tipo costumam ser atualizados a cada três anos, com revisões mais profundas ocorrendo em ciclos maiores.
A avaliação é de que, especialmente no setor bancário — altamente regulado —, não há mudanças frequentes que justifiquem valores muito acima da média, exceto em casos específicos envolvendo tecnologia ou reestruturações mais complexas.
Documentos levantam dúvidas sobre serviços
Outro ponto que levanta questionamentos envolve a autoria de documentos relacionados às políticas de compliance do banco. Registros indicam que parte dos materiais atribuídos ao escritório de Viviane Barci de Moraes teria sido produzida por outros profissionais.
Um ex-funcionário do Banco Master relatou que participou da elaboração de uma política interna em março de 2024, período em que o escritório já prestava serviços, mas afirmou não ter tido contato com a equipe de Viviane.
Além disso, rastros digitais apontam que ao menos cinco documentos mencionados como parte do escopo do contrato foram elaborados por funcionários do banco ou outros escritórios entre novembro de 2024 e agosto de 2025.
Política sensível também tem outra autoria
Entre os documentos analisados está a política de Prevenção à Lavagem de Dinheiro e ao Financiamento do Terrorismo (PLDFT), considerada uma das mais importantes no setor financeiro.
Apesar de constar como parte das atividades do escritório contratado, o documento aparece como tendo sido criado, em julho de 2025, por outra profissional ligada ao banco, o que reforça dúvidas sobre a extensão real dos serviços prestados.

