Pablo Quirno afirma que divergências entre os governos de Javier Milei e Lula permanecem no campo político, sem risco de ruptura diplomática

O ministro das Relações Exteriores da Argentina, Pablo Quirno, afirmou nesta quarta-feira (29/07) que o governo de Javier Milei não pretende romper relações diplomáticas com o Brasil, apesar do agravamento das tensões entre os dois países nas últimas semanas.
Em entrevista à Rádio Mitre, o chanceler ressaltou que as divergências entre os governos permanecem no campo político e ideológico e não devem comprometer a relação institucional entre Buenos Aires e Brasília.
Quirno comenta críticas de Alckmin
Questionado sobre a declaração do vice-presidente Geraldo Alckmin, que classificou como um “desserviço ao povo argentino” os ataques de Milei ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Quirno afirmou que se trata de diferentes visões políticas.
“Nós acreditamos que o que Lula está fazendo no Brasil não é o caminho certo, enquanto eles consideram que é apropriado”, declarou.
Apesar das críticas ao governo brasileiro, o ministro descartou qualquer possibilidade de rompimento das relações diplomáticas. “Não há chance”, afirmou ao ser questionado sobre o tema.
Apoio à família Bolsonaro
Durante a entrevista, Quirno também destacou o apoio de Javier Milei à família Bolsonaro. Segundo o chanceler, o presidente argentino participou da convenção nacional do Partido Liberal (PL), realizada no último fim de semana em São Paulo, evento que oficializou a candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência da República nas eleições brasileiras deste ano.
Resposta à convocação do embaixador
O chanceler argentino também comentou a decisão do governo brasileiro de convocar para consultas o embaixador do Brasil na Argentina, Julio Vitelli, após os recentes episódios de tensão diplomática. Segundo Quirno, o governo argentino não pretende adotar medidas semelhantes.
“Quanto ao fato de o chanceler brasileiro ter convocado o embaixador argentino, bem, isso é algo que nós não fazemos, não elevamos questões ao nível institucional. Mantemos as disputas eleitorais, bem como as diferenças políticas e ideológicas, dentro desse âmbito específico”, afirmou.
O ministro acrescentou que o governo de Javier Milei mantém “a mais alta estima” pelo diplomata brasileiro e disse esperar que o embaixador retorne à Argentina o mais rapidamente possível para dar continuidade à agenda bilateral entre os dois países.
Tensão entre Brasil e Argentina
As declarações ocorrem em meio ao aumento das tensões entre Brasil e Argentina, provocado pelas críticas públicas de Javier Milei ao presidente Lula e pelo alinhamento do governo argentino com o ex-presidente Jair Bolsonaro e aliados. Apesar do desgaste político, o governo argentino sinaliza que pretende preservar as relações diplomáticas e comerciais com o principal parceiro do Mercosul.

