
O histórico de denúncias no estado mostra que o problema atinge tanto a capital quanto o interior, envolvendo desde projetos sociais até treinadores de elite.
Quais são os principais casos recentes de jiu-jitsu investigados no Amazonas?
Caso Carlos “Esquisito” (Julho de 2026): O professor Carlos Vieira Holanda foi preso em Manaus pela Polícia Civil. Ele estava foragido e é investigado por estupro de vulnerável e favorecimento à prostituição contra pelo menos sete vítimas, incluindo crianças.
Caso Melqui Galvão (2026): O treinador foi preso temporariamente em Manaus por ordem da Justiça de São Paulo. O processo apura denúncias de abuso contra ex-alunas e corre sob segredo de Justiça. Notíciasde Manaus

Humaitá (2025): Um instrutor passou a ser investigado após denúncias de estupro de vulnerável e importunação sexual contra crianças que frequentavam as aulas no município.

Um instrutor passou a ser investigado após denúncias de estupro de vulnerável e importunação sexual contra crianças que frequentavam as aulas no município.
Operação Armlock (2024): Deflagrada pela Polícia Civil em Manaus, resultou na prisão e posterior condenação de um professor por estupro de vulnerável contra múltiplos alunos menores de idade.
Em todos os casos ainda sem trânsito em julgado, o espaço segue aberto para as manifestações das defesas técnicas dos investigados, sendo assegurados o contraditório e a ampla defesa.
Como os abusadores utilizam a cultura das artes marciais para cometer crimes?
De acordo com especialistas, o crime não está ligado à filosofia do jiu-jitsu, mas sim ao oportunismo de criminosos que se infiltram no esporte. A psicóloga comportamental e especialista em psicologia esportiva, Dra. Mariana Ramos, explica como essa relação de poder é construída no tatame:
“Nas artes marciais, a figura do mestre ou treinador carrega uma autoridade quase inquestionável. O aluno é ensinado desde o primeiro dia a obedecer, respeitar a hierarquia e confiar cegamente na liderança de quem veste a faixa preta. O abusador se vale exatamente dessa cultura de respeito absoluto e da vulnerabilidade emocional, muitas vezes prometendo patrocínios, evolução no esporte ou afeto. Quando o abuso acontece, a vítima entra em um conflito psicológico profundo: ela teme que denunciar signifique destruir a própria carreira ou ir contra toda a comunidade do tatame, o que retarda a revelação do crime por meses ou anos.”
Como pais e federações podem proteger crianças e adolescentes?
A prevenção exige uma postura ativa das instituições reguladoras e dos responsáveis pelos atletas. As principais recomendações de segurança incluem:
Exigência de documentos: Federações locais devem cobrar certidões negativas de antecedentes criminais atualizadas para a filiação e renovação do alvará de professores;
Afastamento imediato: Profissionais indiciados ou com denúncias formais aceitas devem ser suspensos de suas atividades de ensino preventivamente;
Atenção dos pais: Evitar treinos individuais de portas fechadas, acompanhar as aulas presencialmente sempre que possível e monitorar mudanças repentinas no comportamento dos filhos.
Pilar da Experiência Regional:
O jiu-jitsu é uma das modalidades esportivas mais tradicionais e vitoriosas do Amazonas, servindo como ferramenta de transformação social em dezenas de bairros da periferia de Manaus. Justamente por essa enorme capilaridade, o impacto dessas prisões abala a confiança de milhares de famílias que enxergam no esporte um futuro para os filhos. A cobrança do ecossistema da luta no estado é por uma centralização de dados e um selo de “academia segura” emitido pelas federações locais, separando os profissionais de bem daqueles que usam o prestígio da faixa preta para cometer crimes.


