Cantor foi indiciado pela Polícia Civil por tráfico, associação para o tráfico, desacato, resistência qualificada, lesão corporal, ameaça e dano

A terça-feira (22) foi marcada por uma guerra de versões sobre uma confusão entre Oruam e policiais da Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE), ocorrida na residência do artista, no Joá, Zona Oeste do Rio, na madrugada do dia 21. O conflito aconteceu enquanto agentes estavam no local, após descobrirem que um adolescente, acusado de atuar como segurança de um chefe do Comando Vermelho (CV), estaria na casa. Horas depois, a Justiça decretou a prisão preventiva do rapper.
Segundo Mauro Davi Nepomuceno, conhecido como Oruam, por volta de 23h da última segunda-feira, foi realizado um cerco policial em sua casa, enquanto ele e a noiva Fernanda Valença, recebiam cinco amigos do casal. Nas redes sociais, o artista publicou vídeos mostrando agentes no lado de fora da propriedade. Em uma das postagens o cantor escreveu: “Quem estiver de moto brota no Joá. Me ajuda. Eles estão na minha porta 23h”. Instantes depois, o cantor compartilhou imagens de pedras sendo lançadas contra os agentes.
Alterado, Oruam filmou o delegado Moyses Santana, titular da DRE, e xingou o policial. “Tem mais de 20 viaturas na minha casa. O mesmo delegado que me prendeu. Eu estava saindo e colocaram a pistola na minha cara. Claro que ele vai querer prender nós, porque nós é filho de bandido”, disse em outro vídeo. Oruam é filho de Márcio Nepomuceno dos Santos, o Marcinho da VP, apontado como um dos integrantes da cúpula do Comando Vermelho.
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Em nota à imprensa, Oruam disse que se sentiu vítima de abuso de autoridade e que atirou pedras na polícia depois que foi ameaço com armas de fogo, incluindo fuzis. O músico ainda questionou o fato da ação ocorrer fora dos horários de cumprimento de mandados judiciais, entre às 5 e 21h. Também acusou a polícia de ter sido preconceituosa.
“Apesar da invasão, nenhuma objeção ou suspeita foi encontrada, pois não havia motivo alguma para tal ação. Além disso, durante a abordagem, meu produtor, que estava comigo, foi algemado de maneira arbitrária e sem justificativa plausível. Essa ação violenta e desproporcional, além de humilhante, gerou grande sofrimento emocional e físico para todos nós presentes”, disse Oruam.
A Polícia, por sua vez, afirma que tentava cumprir uma ordem de Busca e Apreensão do adolescente conhecido apontado como segurança de Edgar Alves de Andrade, o Doca, um dos chefes do Comando Vermelho no Rio. De acordo com a polícia, a aguardava que o momento em que o adolescente deixasse a residência. Após algum tempo, identificaram o adolescente no lado de fora da residência e anunciaram a apreensão. Neste momento, foram atacados por pedras e apenas depois das agressões entraram na residência do artista. Na confusão, o adolescente conseguiu fugir de dentro da viatura durante a confusão.
Ação dentro de casa
Ainda na madrugada de segunda-feira, Fernanda Valença utilizou suas redes sociais para afirmar que os policiais estavam entrando em sua residência de forma desproporcional.
Apontaram arma para minha cachorra, porque ela latiu — disse Fernanda.
Em outro vídeo, a jovem mostrou um dos amigos do casal sendo imobilizado por agentes em uma área comum da casa. Já em outra postagem, afirmou que agentes entraram em seu quarto, sem consentimento, para revirar seus pertences.
Enquanto ocorria a ação, Oruam teria saído do local em direção a comunidade do Complexo da Penha, na Zona Norte do Rio, conhecido por ser um dos principais pontos de atuação do Comando Vermelho. De lá, teria feito novas postagens em suas redes sociais, desafiando as autoridades a encontra-lo.
Prisão Preventiva
Na manhã de terça-feira, foi decretada pela Justiça do Rio uma determinação de prisão preventiva do rapper. Assim, Oruam passou a responder pela prática dos crimes de tráfico, associação para o tráfico, resistência qualificada, desacato, dano, ameaça e lesão corporal.
“Analisando os autos, verifico que, no presente momento, mais adequado se faz a decretação da prisão preventiva (e não da prisão temporária), conforme sugerido pelo Ministério Público, conforme passo a expor. A prisão preventiva encontra respaldo nos artigos 311 a 313 do Código de Processo Penal e se faz pertinente para a garantia da ordem pública, da ordem econômica, por conveniência da instrução criminal ou para assegurar a aplicação da lei penal, quando houver prova da existência do crime e indício suficiente de autoria e de perigo gerado pelo estado de liberdade do imputado. E os requisitos se fazem presentes, de acordo com os elementos probatórios”, diz um trecho da decisão.
No começo da tarde, o rapper publicou um novo vídeo em suas redes, informando aos fãs e seguidores que iria se entregar para polícia. Nele, afirmou que iria provar que era inocente de todas as acusações e daria a ‘volta por cima’ com sua arte.
Por volta das 18h, se apresentou na Cidade da Polícia, na Zona Norte da cidade, acompanhado pela noiva Fernanda Valença, a mãe Márcia Nepomuceno, advogados e membros de sua equipe pessoal.
Abatido, o rapper pediu desculpas após a prisão e ficou na Polinter até ser transferido para o presídio de Benfica, por volta das 20h30, onde ficará até sua audiência de custódia, prevista para esta quarta-feira.
Com informações Extra

