Perícia aponta que celular da vítima foi desbloqueado minutos após o disparo e indica tentativa de ocultar provas

A Polícia Civil de São Paulo concluiu que o tenente-coronel da PM Geraldo Leite Rosa Neto apagou mensagens do celular da soldado Gisele Alves Santana logo após a morte dela, registrada em 18 de fevereiro.
Segundo a perícia, o aparelho da vítima foi desbloqueado e manuseado minutos depois do disparo. Os investigadores conseguiram recuperar mensagens apagadas no celular de Gisele. Para a polícia, o oficial tentou ocultar provas que indicariam a intenção da vítima de se separar.
Além disso, a análise aponta que o celular foi acessado enquanto a soldado ainda estava baleada dentro do apartamento, antes da chamada por socorro.
As conversas, trocadas na véspera do crime, indicam que o casal discutia a separação. Em uma das mensagens, enviada por Gisele, ela afirma que o marido poderia entrar com o pedido de divórcio:
“Vejo que se arrependeu do casamento, eu também. Pode entrar com o pedido essa semana.”
Os investigadores também destacaram mensagens anteriores, dia em que os pais de Gisele foram até o apartamento para buscá-la, mas ela deixou apenas a filha com eles.
O tenente-coronel escreveu: “A gente se ama.” Para a polícia, isso mostra uma conduta frequente dele, que sempre, quando a vítima tentava se separar, “desviava o assunto”.
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No interrogatório, após ser preso, o oficial também mencionou a vida íntima dos dois, incluindo reclamações sobre a frequência de relações sexuais.
“Minha testosterona deu 939 sem fazer reposição hormonal, 939. É a faixa etária de homem entre 16 e 21 anos. No último exame, feito agora no dia 30 de janeiro, o resultado foi 939. Segundo as tabelas médicas, é uma testosterona equivalente à de um jovem de 16 a 21 anos. Imagina eu assim… quase sem ter relação sexual,” disse o tenente.
Já nas mensagens recuperadas, a vítima apresentava versão diferente, indicando insatisfação com a relação sexual do casal.
“Com você, pra mim, está sendo sexo uma vez por mês… 19 segundos.” escreveu Gisele.
Prisão por acusação de feminicídio
Neto está preso desde 18 de março. Ele foi detido em seu apartamento, em São José dos Campos (SP), e saiu escoltado do local por agentes da Polícia Civil e da Corregedoria. De lá, foi conduzido à sede da corregedoria, no centro de São Paulo e, posteriormente, transferido para o Presídio Militar Romão Gomes.
O tenente-coronel afirmou à polícia que Gisele teria tirado a própria vida enquanto ele estava no banho, no apartamento do casal, localizado na região central da capital paulista.
A prisão foi decretada após a investigação concluir que Gisele não cometeu suicídio — versão apresentada inicialmente por Neto. Em vez disso, o tenente-coronel teria matado a esposa com uma disparo de arma de fogo. Segundo a decisão, ao qual o SBT News teve acesso, o réu teria surpreendido a vítima por trás e atirado na cabeça dela, especificamente na região das têmporas.
Na última sexta-feira (20). defesa de Neto fez uma reclamação formal no Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP), alegando que a Justiça Militar não tinha competência para pedir a prisão de seu cliente e pedindo sua soltura. No mesmo dia, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) negou o pedido e manteve a prisão do tenente-coronel.

