Ele já havia sido preso em 2023 durante uma apuração sobre um roubo à mão armada em Manaus.

O cabo da Polícia Militar do Amazonas (PM-AM) Bruno Ewerson Mateus Santos, preso nessa sexta-feira (24) após uma investigação da Polícia Civil do Amazonas (PC-AM) sobre uma possível ligação com uma organização criminosa, já havia sido preso em 2023 durante uma apuração sobre um roubo à mão armada em Manaus.
O caso voltou a ganhar atenção após uma operação do Departamento de Investigação sobre Narcóticos (Denarc), realizada na manhã de sexta-feira, no bairro Alvorada, Zona Centro-Oeste de Manaus, terminar com a morte do investigador da Polícia Civil Luciano Carvalho de Sena.
A Polícia Militar do Amazonas (PMAM) informou que tomou conhecimento de informações relacionadas à possível participação de Bruno Ewerson na ocorrência que resultou na morte de um investigador e adotou as providências administrativas cabíveis, por meio da Diretoria de Justiça e Disciplina (DJD).

O PM foi apresentado à Polícia Civil, responsável pela investigação do caso, e preso em flagrante pelos crimes de porte ilegal de arma de fogo e adulteração de sinal identificador de veículo automotor. Ele permanece à disposição da Justiça e deverá passar por audiência de custódia.
Prisão em investigação de roubo
Em 2023, Bruno foi alvo de uma investigação conduzida pelo 29º Distrito Integrado de Polícia (DIP), sob responsabilidade do delegado Márcio André Campos.

O crime investigado ocorreu em 23 de janeiro daquele ano, na Avenida Abiurana, no bairro Mauazinho, Zona Leste de Manaus. Segundo os registros policiais, um motorista de transportadora foi abordado ao deixar a empresa por homens que estavam em duas caminhonetes brancas, uma Chevrolet S10 e uma Ford Ranger.
De acordo com a investigação, a vítima foi colocada dentro de um dos veículos e teria sido ameaçada com uma arma de fogo. Os suspeitos exigiram a chave de um caminhão estacionado em frente à empresa. Como o motorista não estava com o objeto, ele teria sido obrigado a retornar ao estabelecimento para buscá-lo.
Ainda conforme a apuração, o caminhão foi levado até o Ramal da Gisele, nas proximidades da área conhecida como atrás da Samsung. No local, o compartimento de carga foi aberto. Os suspeitos teriam acreditado que o veículo transportava minérios, mas encontraram triciclos.
Antes de deixar o local, o grupo teria retirado R$ 400 da carteira do motorista. A vítima relatou o crime posteriormente e procurou a polícia junto com o responsável pela empresa.
Veículos da segurança pública teriam sido usados
A investigação realizada na época apontou que as duas caminhonetes utilizadas no crime pertenciam ao sistema de segurança pública e teriam circulado com placas diferentes das originais.
Imagens analisadas pelo Centro Integrado de Análise de Imagens de Segurança Pública (Cerco Inteligente) indicaram que a Chevrolet S10, de placa original PHK-4H52, teria utilizado a identificação PHX-6010. A Ford Ranger, que tinha a placa JXI-4F31, estaria circulando com a identificação PHR-6S99.
O Departamento Estadual de Trânsito do Amazonas (Detran-AM) informou, na ocasião, que os dois veículos estavam sob responsabilidade da SSP-AM na data do roubo.
Conforme a cronologia apresentada pela SSP-AM, a S10 estava sob responsabilidade de Mateus e era utilizada pelo Núcleo Especializado em Operações de Trânsito (Neot), do Detran. A Ranger estava sob responsabilidade de Everson e era empregada pela Gerência de Transportes da SSP-AM.
Justiça autorizou prisões durante apuração
No decorrer da investigação, a Justiça autorizou a prisão temporária dos três suspeitos, além de mandados de busca e apreensão em imóveis e de aparelhos celulares. Também houve autorização para quebra de sigilo de dados telefônicos.
Segundo informações divulgadas na época, Bruno teria procurado abrigo no Comando-Geral da Polícia Militar após saber que era procurado pela Polícia Civil. O mandado de prisão contra o cabo foi posteriormente cumprido por uma equipe especializada da própria corporação.
A apuração também investigava a possível participação de policiais em um grupo voltado para roubos de cargas de minérios, incluindo ouro e cassiterita.
Até o momento, não há manifestação oficial localizada da Polícia Militar sobre o caso de 2023 ou sobre a atual situação funcional de Bruno Ewerson. As defesas de Bruno, Liniker Holanda e Mateus Nogueira também não foram localizadas para comentar as investigações.
Os envolvidos são investigados ou foram presos no contexto de apurações policiais. As prisões e investigações não representam condenação, e a responsabilidade de cada pessoa deverá ser definida pela Justiça.

