Diferentemente do que afirma o ex-ministro da Fazenda, maior acumulado de empresas brasileiras que migraram para o Paraguai foi durante os governos Lula 2 e Dilma (PT).

O pré-candidato ao governo de São Paulo Fernando Haddad (PT) participou, na manhã deste sábado (6.jun.2026), do podcast 3 Irmãos, transmitido pelo YouTube. Ele afirmou que empresas deixaram o Brasil em direção ao Paraguai durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro e do atual governador paulista Tarcísio de Freitas (Republicanos), na época ministro da Infraestrutura.
“As empresas saíram pro Paraguai no governo Bolsonaro. O governo Bolsonaro foi o maior êxodo de empresas para o Paraguai junto com o governo Tarcísio”, declarou o petista..
Diferentemente do que afirma o ex-ministro da Fazenda do 3º mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o maior acumulado de empresas brasileiras que migraram para o Paraguai foi durante os governos Lula 2 e Dilma (PT), quando 74 empreendimentos abriram negócios no país vizinho. Esse volume se manteve alto também durante o governo de Michel Temer, com 46 empresas indo para o Paraguai em 2017 e 2018, de acordo com a Câmara de Empresários Brasileiros no Paraguai e o governo paraguaio. Durante o governo de Jair Bolsonaro (PL), houve no início ainda um volume alto, com outras 46 empresa brasileiras indo para o país vizinho em 2019 e 2020. Não obstante, nos dois últimos anos do ex-presidente, houve uma queda no acumulado de migração: 26 companhias foram para o país vizinho. O período também coincide com a fase mais mortal da pandemia de covid-19.
Depois de Lula assumir o Planalto, em 2023, e com Haddad na Fazenda, a tendência de crescimento voltou: 34 empresas brasileiras foram para o Paraguai no biênio 2023-2024, como mostra o gráfico abaixo.

O governo paraguaio divulga os dados de novas empresas no país em biênios. Por isso, ainda não há um número consolidado com a quantidade de empresas que migraram para lá em 2025. A reportagem levou em conta casos publicamente conhecidos e contabilizou 6 até agora. O número, porém, é bem maior, mas só será oficialmente divulgado em 2027. Reportagem do Poder360 publicada em 23 de maio de 2026 mostrou que vários outros empreendimentos brasileiros pensam em fazer esse mesmo caminho para o Paraguai.
“PAÍS PEQUENO” Segundo Haddad, o Brasil não deve buscar um modelo baseado em incentivos fiscais semelhantes aos de economias menores. Ele defendeu que o país adote uma estratégia de desenvolvimento compatível com sua dimensão econômica e populacional. “Todo país pequeno, e eu não estou diminuindo o Paraguai falando isso, é um país de 6, 7 milhões de habitantes.
Todo país pequeno pode atrair empresas. O Brasil, com 215 milhões de habitantes, não consegue ser um paraíso fiscal”, afirmou.
O ex-ministro citou como exemplos o Uruguai, a Suíça e as nações do Caribe para argumentar que o plano de desenvolvimento precisa considerar a escala brasileira. “Não compensa, tem 215 milhões de habitantes para alimentar. Não adianta atrair cara que não quer pagar imposto para cá. O Brasil tem que ter um plano de desenvolvimento com a escala do Brasil, não adianta fazer com a escala do Paraguai”, disse. Haddad também afirmou que o Brasil “vai perder uma empresa ou outra para o Paraguai porque o recorde disso começou no governo Tarcísio-Bolsonaro”.
EMPRESAS NO PARAGUAI O Paraguai atraiu 232 empresas brasileiras desde 2007 para atuar dentro da Lei de Maquila –uma norma legal que permite a companhias estrangeiras voltadas para a exportação produzirem no país vizinho pagando menos impostos. Tais companhias são conhecidas como maquiladoras. O movimento se acentuou nos últimos anos, pois mais facilidades foram criadas para atrair negócios de outros países….

O principal atrativo é a baixa carga tributária. Fábricas sob esse regime têm impostos e encargos trabalhistas totais de 12%, em média, contra 80% no Brasil. Segundo levantamento feito com base em dados do governo paraguaio e da Câmara de Empresários Brasileiros no Paraguai, o número de maquiladoras brasileiras corresponde a 70% das mais de 320 empresas estrangeiras que optaram pelo país vizinho.

Poder 360

