
O candidato ao Governo do Amazonas Roberto Cidade (União Progressista) divulgou nas redes sociais recortes de uma reportagem publicada pela Folha de S.Paulo em 1997 que cita o empresário Wellington Lins de Albuquerque, marido da candidata Professora Maria do Carmo (PL).
O material foi compartilhado por Cidade após o confronto com Maria do Carmo durante o debate da TV Norte Amazonas, realizado nesta terça-feira (22). Durante a discussão, o candidato questionou a adversária sobre o histórico do marido.
A reportagem original da Folha, publicada em 21 de outubro de 1997, informa que Wellington Lins havia sido nomeado diretor do então Departamento Nacional de Estradas de Rodagem (DNER) no Amazonas e que tinha uma prisão decretada por não responder a um processo em que era acusado de estelionato.
Folha registrou prisão decretada em 1997
No trecho compartilhado por Roberto Cidade, a reportagem afirma que Wellington Lins foi nomeado para o DNER mesmo após ter tido a prisão decretada por não responder ao processo. Segundo a publicação, a indicação para o cargo havia sido feita pelo então deputado federal Átila Lins (PFL-AM), irmão de Wellington e, à época, ligado ao governador Amazonino Mendes.
A Folha também informou que Wellington estava inscrito no Cadastro Informativo de Créditos não Quitados do Setor Público Federal (Cadin) em duas ocasiões naquele período. O jornal registrou ainda que os valores das dívidas estavam protegidos por sigilo fiscal.
Em outra publicação, de dezembro daquele mesmo ano, a Folha voltou a citar o episódio e registrou que Wellington Lins havia tido prisão preventiva decretada por não responder a processo de estelionato.
Os registros citados são referentes a acontecimentos de 1997 e descrevem acusações e medidas judiciais daquele período. A reportagem da Folha não equivale, por si só, a uma condenação criminal.
Roberto Cidade questiona Maria do Carmo durante debate
Durante o debate desta terça-feira, Roberto Cidade levou o assunto para o confronto direto com Maria do Carmo.
“Você tem que explicar para a população porquê que o seu esposo já foi preso”, afirmou o candidato.
Maria do Carmo contestou a afirmação.
“O meu marido nunca foi preso. Aliás, esse governo gosta de mentir sobre as pessoas”, respondeu a candidata.
Cidade voltou a criticar a adversária e afirmou que ela deveria apresentar propostas durante a campanha.
“Você quer falar coisas para poder ganhar voto. Fale do seu trabalho. Você não tem proposta”, disse.
Reportagem cita Wellington no comando do DNER
A reportagem da Folha de 1997 também registrou que Wellington Lins havia assumido a direção do DNER no Amazonas naquele ano. Segundo o jornal, ele foi nomeado em março de 1997, apesar das questões judiciais mencionadas na publicação. A matéria também apontou que a indicação havia sido feita pelo deputado Átila Lins.
O episódio voltou a circular nas redes sociais quase três décadas depois, agora inserido na disputa eleitoral pelo Governo do Amazonas.
Debate teve troca de acusações entre candidatos
O confronto entre Roberto Cidade e Maria do Carmo ocorreu em um dos momentos de maior tensão do debate. Além do episódio envolvendo Wellington Lins, os candidatos trocaram acusações relacionadas às respectivas trajetórias políticas e profissionais.
Cidade utilizou a reportagem histórica para questionar a adversária, enquanto Maria do Carmo negou que o marido tenha sido preso e acusou o grupo político do adversário de disseminar informações falsas.
A documentação jornalística disponível confirma que a Folha de S.Paulo registrou, em 1997, a existência de uma ordem de prisão contra Wellington Lins relacionada a um processo por acusação de estelionato. O contexto e o desfecho posterior desse processo não são estabelecidos pela reportagem de 1997 consultada.

