A estátua de um anjo foi criado como memorial paras as vítimas da pandemia, enquanto o MP-AM apura o abandono no local

Enquanto o Ministério Público do Amazonas (MP-AM) apura as condições de limpeza, manutenção e o abandono de covas onde as vítimas da pandemia da Covid-19 estão enterradas, a gestão do prefeito David Almeida (Avante) parece se preocupar mais com a estética ao inaugurar a escultura de um anjo de máscara segurando um par de pulmões. A estátua, que foi erguida na entrada do Cemitério Nossa Senhora Aparecida, no bairro Tarumã, chamou atenção e rendeu críticas ao prefeito nas redes sociais.
Para muitos internautas, “a Praça do Anjo”, como foi denonimada pelo secretário da Secretaria Municipal de Limpeza e Serviços Públicos (Semulsp), Sabá Reis, através das redes sociais, não represneta um símbolo da memória das vítimas da pandemia.
As críticas dos manauaras estão em torno da falta de empatia com as famílias das vítimas, sobre o tamanho desproporcional da escultura, além de muitos questionando o valor da estátua que poderia ter sido investido na limpeza do local.
O descaso com o local não é novidade. Em julho do ano passado, reportagem do GRUPO DIÁRIO DE COMUNICAÇÃO (GDC) apontou abandono do espaço destinado às vítimas da Covid-19.
Na época, matéria identificou túmulos estão tomados pelo mato, sepulturas sem identificação, lixo espalhado e caminhos obstruídos pela vegetação na área destinada às vítimas da Covid-19. A falta de manutenção expõe além do descaso, diversos problemas ambientais e de planejamento.
Por causa disto, em setembro deste ano, uma portaria do MP-AM, assinada pelo promotor de Justiça Antônio José Mancilha, apontou que o órgão ministerial entrou em contato com a Semulsp, mas não obteve resposta sobre o problema de abandono denunciado.
Por isto, Mancilha determinou instauração de inquérito para apurar “violação à dignidade humana e ao direito ao sepultamento adequado, no Cemitério Parque Tarumã, situado nesta Capital, em razão da ausência de limpeza e de manutenção do local, principalmente, na região em que foi enterrada a maioria das vítimas da Covid-19”.
Essa não é a primeira vez que uma escultura da gestão de David Almeida é fortemente criticada pela população. Ainda este ano, uma réplica do famoso “Touro de Wall Street” foi construído na sede da Semulsp. Apelidado nas rede sociais como “touro de ouro”.
O “Touro de Wall Street” representa o poder da Bolsa de Nova York e a ideia de construir uma réplica em Manaus foi do secretário Sabá Reis. Segundo ele, o touro representa o lucro que a Semulsp gera ao ser econômica aos cofres públicos.

