Ele também foi condenado a pagar indenização de R$ 50 mil a cada uma das vítimas.

O ex-anestesiasta Giovanni Quintella Bezerra, de 33 anos, foi condenado a 30 anos de prisão em regime fechado por dois crimes de estupro de vulnerável, cometidos contra pacientes sedadas durante cesarianas. A decisão foi proferida pela 2ª Vara Criminal de São João de Meriti, na Baixada Fluminense, nesta segunda-feira (9).
Além da pena de reclusão, Bezerra também foi condenado a pagar indenização de R$ 50 mil a cada uma das vítimas. A sentença representa um marco no caso que chocou o país em 2022, quando o médico foi flagrado abusando de uma mulher inconsciente no centro cirúrgico do Hospital da Mulher Heloneida Studart, em São João de Meriti.
A condenação levou em conta provas registradas em vídeo pela própria equipe do hospital. Enfermeiras e técnicas de enfermagem desconfiaram da postura do anestesista, que aplicava doses excessivas de sedativo, muito além do necessário para um parto cesariano. Diante das suspeitas, elas esconderam um celular no centro cirúrgico, o que resultou na flagrante gravação do abuso sexual em pleno procedimento cirúrgico.
As imagens mostram Bezerra praticando sexo oral forçado na paciente desacordada, enquanto a equipe médica realizava o parto, separada apenas por um campo cirúrgico. A filmagem foi entregue à polícia, que prendeu o médico em flagrante no mesmo dia. Posteriormente, outras pacientes denunciaram ter sido vítimas do mesmo crime.
Em julho de 2023, o Conselho Regional de Medicina do Rio de Janeiro (Cremerj) decidiu, por unanimidade, cassá-lo definitivamente, tornando Giovanni Quintella Bezerra incapacitado para exercer a medicina no país.
O caso trouxe à tona um debate sobre protocolos de segurança em salas cirúrgicas e a necessidade de fiscalização mais rigorosa sobre condutas médicas. Organizações de defesa dos direitos das mulheres também pressionam por leis mais rígidas para proteção de pacientes em situação de vulnerabilidade.
Bezerra permanece detido e, com a nova condenação, deve continuar preso por tempo indeterminado enquanto responde a outras denúncias semelhantes que seguem em apuração.

