
O presidente nacional do Solidariedade e deputado federal Paulinho da Força (SP) reagiu às declarações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) durante a Convenção Nacional do Partido dos Trabalhadores, realizada neste domingo (2/8), no Expo Center Norte, em São Paulo. Em nota divulgada após o evento, o parlamentar acusou Lula de propagar uma “grave mentira” ao afirmar que ele apoiou a reforma trabalhista aprovada em 2017, durante o governo de Michel Temer (MDB).
A declaração de Lula é contrariada pelo registro oficial da votação na Câmara dos Deputados. Paulinho votou “não” ao texto-base da reforma trabalhista, aprovado em 26 de abril de 2017 por 296 votos a 177. A proposta posteriormente deu origem à Lei nº 13.467/2017.
O que Lula disse na convenção do PT
Durante o evento que oficializou sua candidatura à reeleição, Lula criticou as mudanças promovidas na legislação trabalhista e atribuiu a Paulinho da Força apoio à reforma.
“O Temer teve coragem de enfraquecer ainda mais, com o apoio do Paulinho, da Força Sindical, que vai pedir voto para vocês agora. Então vocês tomem cuidado”, declarou Lula.
A fala ocorreu no momento em que o presidente alertava os eleitores sobre a disseminação de informações falsas nas redes sociais.
Paulinho cobra retratação de Lula
Em nota, Paulinho afirmou que Lula contradisse o próprio discurso contra a desinformação ao fazer uma afirmação que não corresponde ao voto registrado por ele na Câmara.
“Ao discursar hoje, 2 de agosto, na Convenção Nacional do PT, o presidente Lula criticou as mentiras que invadem a internet, mas, ao mesmo tempo, propagou ele mesmo uma grave mentira a meu respeito”, afirmou.
O deputado declarou que atuou contra a proposta, tanto como parlamentar quanto na condição de dirigente sindical. Em maio de 2017, depois da aprovação do texto pela Câmara, Paulinho participou de uma sessão temática no Senado e pediu mudanças no projeto, ao apontar o que classificou como “equívocos impressionantes”.
“Trabalhei contra a reforma, como sindicalista e deputado, mais até do que deputados e senadores do PT, e considero absolutamente desleal que o presidente da República se refira a mim dessa forma, com mentiras”, declarou.
Paulinho também cobrou uma retratação pública.
“Espero sinceramente que, informado sobre a verdade, o presidente Lula faça um pedido de desculpas que, com a generosidade que ele não teve, aceitarei”, concluiu.
Voto registrado contraria declaração de Lula
A reforma trabalhista foi aprovada pela Câmara em abril de 2017 e sancionada em julho daquele ano pelo então presidente Michel Temer. Entre outras alterações, a legislação modificou regras relativas a negociações coletivas, jornada de trabalho, férias, contribuição sindical e acesso à Justiça do Trabalho.
Na votação do texto-base, Paulinho da Força posicionou-se contra a proposta. O registro nominal da Câmara confirma o voto “não” do parlamentar, embora integrantes da bancada do Solidariedade tenham se dividido durante a análise da matéria. A posição também foi registrada por entidades sindicais e veículos que acompanharam a votação.
Paulinho apoiou Lula no segundo turno da eleição presidencial de 2022, mas a relação política entre os dois se deteriorou ao longo do atual governo. O Solidariedade não recebeu ministérios, decisão que o deputado classificou à época como uma “ingratidão”.
O novo confronto ocorre em meio às articulações para a eleição paulista de 2026. O PT procurou o Solidariedade para discutir uma candidatura própria do partido ao governo estadual, enquanto Paulinho se aproximou da campanha de reeleição do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos).

