Pré-candidato à Presidência afirma que a legislação, sozinha, não protege as vítimas e defende punições mais rígidas para agressores durante evento do PL

Osenador e pré-candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) afirmou, neste sábado (18), que a defesa das mulheres deve ser uma das pautas da direita e criticou a efetividade da Lei Maria da Penha no combate à violência doméstica. Durante um encontro estadual do PL no Espírito Santo, o parlamentar defendeu medidas mais duras contra agressores e afirmou que a legislação, por si só, não é suficiente para proteger as vítimas.
Em seu discurso, Flávio declarou que a Lei Maria da Penha é um “pedaço de papel” e disse que, em um eventual governo, pretende aumentar o rigor contra homens acusados de violência doméstica.
“Esse pedaço de papel que é a Lei Maria da Penha não é o que vai defender as mulheres. O que vai defender as mulheres é o que o Lorenzo [ Pazolini] fez enquanto prefeito e o que vai fazer como governador, e o que nós vamos fazer em todo o Brasil”, afirmou.
O pré-candidato também defendeu que agressores permaneçam mais tempo presos e propôs mudanças relacionadas às audiências de custódia. Segundo ele, a intenção é adotar uma política de maior rigor penal contra os responsáveis por violência doméstica.
A declaração ocorre em meio aos movimentos de Flávio para ampliar o diálogo com o eleitorado feminino, segmento considerado estratégico para a disputa presidencial de 2026. Na sexta-feira (17), o senador também apresentou o programa “Brasil por Elas”, com propostas direcionadas às mulheres.
Entre as iniciativas anunciadas está a possibilidade de distribuição de celulares para mulheres de baixa renda, apresentada como uma medida de apoio e proteção. O programa foi divulgado em uma transmissão que contou com a participação de Daniella Marques, ex-presidente da Caixa Econômica Federal durante o governo de Jair Bolsonaro e apontada como um dos nomes cotados para ocupar a vice em uma eventual chapa presidencial.
Estratégia eleitoral
As novas propostas fazem parte da estratégia de Flávio para consolidar sua pré-candidatura à Presidência e ampliar sua presença entre diferentes segmentos do eleitorado. O movimento ocorre enquanto o PL ainda não definiu oficialmente o nome que poderá compor a chapa como candidato a vice-presidente.
A escolha do vice permanece em discussão dentro do partido e entre possíveis aliados. A formação da chapa também ocorre em um cenário de articulações com outras legendas e de debates internos sobre a composição da candidatura para as eleições de 2026.
Ao colocar a violência contra a mulher entre os temas de sua pré-campanha, Flávio busca apresentar uma agenda que combina endurecimento das punições para agressores com políticas específicas voltadas às mulheres. A crítica à Lei Maria da Penha, porém, coloca no centro do debate eleitoral a discussão sobre a efetividade das políticas públicas de proteção às vítimas de violência doméstica e sobre quais medidas devem ser adotadas para prevenir novos casos e garantir a responsabilização dos agressores.

