Advogado afirmou que houve pressão psicológica, falhas na investigação e manipulação de provas; acusação rebateu e disse confiar no conjunto probatório.

O julgamento do caso Débora da Silva Alves, grávida de oito meses assassinada em 2023, segue movimentando o Fórum Ministro Enoque Reis, em Manaus, nesta terça-feira (27).
Durante entrevista à imprensa, o advogado Vilson Benagnon, responsável pela defesa de Gil Romero Machado Batista, afirmou que pretende provar a inocência do cliente durante o Tribunal do Júri.
Defesa fala em processo “midiático”
Segundo o advogado, o caso teria sido marcado por forte repercussão pública antes mesmo do julgamento.
“É muito complicado falar em um processo midiático onde a mídia já condenou uma pessoa de forma prévia”, declarou.
A defesa também levantou questionamentos sobre a condução da investigação policial, alegando supostas falhas na cadeia de custódia das provas e pressão psicológica durante os interrogatórios.
Defesa questiona confissão
Vilson Benagnon afirmou que Gil Romero teria sido interrogado por cerca de cinco horas, mas que apenas um vídeo de dois minutos da suposta confissão foi anexado ao processo.
“Por que a delegada só juntou o vídeo da confissão um dia antes da audiência?”, questionou.
O advogado também citou ausência de exame de corpo de delito e inconsistências sobre o procedimento de prisão de Nilson, apontado como comparsa no crime.
“Nós estamos convictos da inocência. Não teve participação dele, não teve mando dele”, afirmou.
Assistente de acusação rebate defesa
A advogada Goreth Rubin, assistente de acusação, afirmou que a condenação ou absolvição dos réus dependerá da análise do conjunto de provas pelos jurados.
“Será analisado todo o conjunto probatório dos autos. Nós acreditamos que a justiça será feita”, declarou.
Ela também destacou que o caso representa uma luta contra o feminicídio.
“Pleiteamos que seja feita justiça em prol da memória da Débora, do Arthur e de todas as mulheres que um dia foram mortas por seus companheiros”, disse.
Julgamento pode durar até quatro dias
O Tribunal do Júri deve seguir pelos próximos dias com oitivas de testemunhas, interrogatórios dos réus e apresentação das teses da defesa e acusação.
Débora foi assassinada em julho de 2023. Segundo as investigações, ela foi morta quando estava grávida e teve o corpo incendiado dentro de um tambor no Distrito Industrial de Manaus.

