Operação militar em Jalisco elimina operador financeiro do CJNG e amplia tensão no México após morte de “El Mencho”.

O Ministério da Defesa do México anunciou, na última segunda-feira (23), a morte do narcotraficante conhecido como “El Tuli”, apontado como braço-direito e principal operador logístico e financeiro de “El Mencho”, líder do Cartel Jalisco Nova Geração (CJNG).
Segundo as autoridades, ele morreu no último domingo (22), durante confronto com forças de segurança no estado de Jalisco.
De acordo com o general Ricardo Trevilla Trejo, titular da Secretaria da Defesa Nacional, Hugo “H.”, o “El Tuli”, foi localizado na região de El Grullo, a aproximadamente 180 quilômetros de Guadalajara. Ao perceber a aproximação das tropas, ele tentou fugir de carro, atacou militares e acabou morto na troca de tiros.
Com o suspeito, os agentes apreenderam armas de grosso calibre, munições, aproximadamente 7,2 milhões de pesos e quase US$ 1 milhão em espécie.
As investigações apontam que ele coordenava bloqueios de rodovias, incêndios criminosos e ataques contra instalações governamentais em Jalisco, além de ter oferecido recompensa de 20 mil pesos por cada militar morto.
Retaliações após morte de “El Mencho”
A morte de “El Tuli” ocorre um dia depois da operação que resultou na morte de Nemesio Oseguera Cervantes, o “El Mencho”, fundador e líder do Cartel Jalisco Nueva Generación.
Ele foi morto em uma ação das forças especiais mexicanas em uma área arborizada nos arredores de Tapalpa, também em Jalisco.
Segundo o Ministério da Defesa, a localização do chefe do cartel foi possível após informações obtidas a partir de um confidente ligado a uma de suas parceiras.
Durante a operação, homens armados abriram fogo contra os militares, e o confronto se estendeu até um complexo de cabanas. Ferido, “El Mencho” foi transportado de helicóptero para a Cidade do México, mas não resistiu.
As mortes desencadearam uma onda de violência em diversos estados mexicanos. De acordo com o ministro da Segurança, Omar García Harfuch, ao menos 30 integrantes do cartel morreram em confrontos posteriores, além de um civil. Pelo menos 70 pessoas foram presas em sete estados.
Criminosos ligados ao CJNG promoveram bloqueios de estradas, incendiaram veículos, atacaram unidades da Guarda Nacional e tentaram avançar sobre áreas estratégicas, como o Aeroporto Internacional de Guadalajara.
Cooperação com os EUA
Autoridades mexicanas confirmaram que informações de inteligência dos Estados Unidos ajudaram a localizar o complexo onde “El Mencho” estava escondido. A presidente Claudia Sheinbaum ressaltou, no entanto, que não houve participação direta de forças norte-americanas na operação.
“Não houve participação de forças dos Estados Unidos. O que houve foi troca de informações”, afirmou.
O governo mexicano informou que mantém monitoramento reforçado sobre lideranças remanescentes do CJNG para evitar uma reestruturação do grupo e novos episódios de violência.
“Já existe uma vigilância específica de vários líderes dessa organização criminosa”, declarou García Harfuch.
Considerado um dos cartéis mais poderosos e violentos do México, o CJNG ganhou força nos últimos anos, especialmente após o enfraquecimento do Cartel de Sinaloa com a prisão de antigos líderes.

