O movimento é visto por analistas políticos como o início oficial da pavimentação para o ano eleitoral

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva entrou no segundo semestre de 2025 com uma estratégia clara de intensificar a agenda de entregas sociais e ampliar a divulgação de medidas de impacto direto no bolso do brasileiro.
O movimento é visto por analistas políticos como o início oficial da pavimentação para o ano eleitoral, priorizando a base da pirâmide econômica e o eleitor de baixa renda.
A vitrine dessa nova fase é o anúncio do aumento da isenção do Imposto de Renda (IR). A proposta, que visa elevar o teto de isenção para quem ganha até R$ 5.000, tornou-se o principal trunfo de comunicação do Planalto para dialogar com a classe média e os trabalhadores formais.
Além da reforma na tabela do IR, o governo priorizou um pacote de medidas voltadas para o consumo e bem-estar como a ampliação de subsídios e facilitação de acesso ao financiamento da casa própria para famílias de baixa renda, o avanço na regulamentação de direitos e garantias para motoristas e entregadores, uma categoria que cresceu exponencialmente nos últimos anos e o apoio a debates sobre a redução da jornada 6×1 tem sido usado como bandeira para atrair o eleitorado jovem e o setor de serviços.
Diferente do primeiro biênio da gestão, marcado por reconstrução institucional e viagens internacionais, o foco agora é o “chão de fábrica”. O governo intensificou a publicidade estatal para destacar inaugurações de obras do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) e programas de transferência de renda.
De acordo com interlocutores do Palácio do Planalto, a ideia é consolidar a percepção de melhora na economia real antes que a campanha de 2026 ganhe as ruas. A preparação das propostas de campanha já está em curso, com um discurso centrado na “estabilidade com justiça social”.
“O objetivo é mostrar que o equilíbrio das contas públicas pode caminhar junto com o aumento do poder de compra”, afirma um técnico da equipe econômica sob condição de anonimato.
Apesar do otimismo no Executivo, o governo enfrenta o desafio de aprovar essa agenda no Congresso Nacional. A ampliação da isenção do IR para R$ 5.000, por exemplo, exige uma engenharia fiscal para compensar a perda de arrecadação, o que deve gerar intensos debates com as lideranças da Câmara e do Senado nas próximas semanas.

