Matéria chamou modelo de poluente e criticou incentivos fiscais para atacar discurso de Lula na COP-30

O secretário Serafim Corrêa rebateu em suas redes sociais a “desinformação publicada no jorna Valor Econômico” contra a Zona Franca de Manaus (ZFM). Um texto publicado pela revista na manhã desta segunda-feira (10) acusa o polo industrial de ser “um modelo de negócios poluente e que lucra com o aumento geral de temperatura”.
O titular da Secretaria de Estado de Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Sedecti) direcionou sua crítica ao autor do texto, o jornalista mineiro Bruno Carazza, que acusou modelo ZFM de ser poluidor e incompatível com o discurso de sustentabilidade do governo federal.
É um engraçadinho. Afinal, nós preservamos 97% da nossa floresta e eles destruíram a Mata Atlântica. Na visão dele, nós somos os poluidores e eles os ‘guardiões da floresta. Vai catar coquinho!’”, escreveu Serafim Corrêa.
O texto publicado pelo Valor Econômico afirma que as maiores empresas incentivadas no Polo Industrial de Manaus (PIM) “não guardam nenhuma consonância com os objetivos de desenvolvimento sustentável tão repeditos nas COPs”, a exemplo das montadoras Honda e Yamaha, o polo de concentrados da Coca-Cola e as fabricantes de eletrônicos Samsung, LG, Climazon e Gree.
O jornalista sugere que o governo federal deva fazer um compromisso de “desmame gradual dos benefícios par a velha indústria poluente instalada em Manaus e a sua conversão para atividades sustentáveis”.
Preocupação
O presidente da Federação das Indústrias do Estado do Amazonas (Fieam), Antônio Silva, manifestou preocupação com a “retórica simplista” utilizada pelo jornalista do Valor Econômico, a chamando também de infundada e com intuito de “desmantelar um projeto de desenvolvimento regional bem-sucedido, como o da Zona Franca de Manaus sob o discurso da sustentabilidade”.“A crítica de que a indústria da ZFM é poluente e incompatível com o discurso da COP revela uma visão totalmente descontextualizada. O valor ambiental do Polo Industrial de Manaus reside não apenas na sua eficiência industrial, mas, sobretudo, no seu papel estratégico de inibição do desmatamento”, disse.
Silva destacou que o PIM concentra a atividade econômica em uma área minúscula do estado, criando um contraponto evidente ao modelo destrutivo de ocupação baseado em agropecuária extensiva e extração predatória de madeira, “os verdadeiros motores da devastação da Amazônia”. O dirigente lembra que o modelo permite a preservação de 97% da floresta no território estadual, algo que outros modelos não conseguiram alcançar.“A crítica ignora que o impacto concentrado e regulado do PIM é drasticamente inferior à pressão dispersa e descontrolada que se instalaria casos os benefícios fossem reduzidos ou extintos. A sugestão de uma redução gradual de benefícios fiscais em nome de alternativas ligadas à bioeconomia incorre em um grave erro: o de tratar o desenvolvimento socioeconômico e a sustentabilidade como forças opostas”, afirmou.
Para o presidente da Fieam, a Zona Franca de Manaus não representa um entrave para a bioeconomia. Muito pelo contrário, se mostra uma plataforma ideal para a implantação em larga escala, não substituindo a indústria, mas integrando-a à nova matriz, utilizando a capacidade e os recursos gerados pelo polo para financiar fitoterápicos, cosméticos, alimentos e biotecnologia.
“A Zona Franca de Manaus é um projeto de Estado que, há quase 60 anos, assegura a soberania nacional na região amazônica, gera meio milhão de empregos diretos e indiretos e mantém a população em uma das áreas mais remotas do país. Defender a sua descontinuidade é ignorar a estabilidade social e o desenvolvimento que o modelo proporciona”, concluiu.

