
Manaus vive um novo capítulo da polêmica “indústria da multa”. O Departamento Estadual de Trânsito do Amazonas (Detran-AM) passou a utilizar vans equipadas com tecnologia de leitura automática de placas para identificar veículos com o licenciamento atrasado. A ação, implantada de forma discreta, tem gerado uma onda de autuações — algumas, segundo motoristas, chegando de forma repetida ao mesmo condutor.
Embora a medida esteja amparada pela legislação, a forma como foi implementada gerou forte reação negativa. Para muitos, o foco da operação não seria a segurança no trânsito, mas sim a arrecadação. As vans, apelidadas por populares de “vans da discórdia”, estão posicionadas em pontos estratégicos da capital e da região metropolitana, o que vem sendo interpretado como armadilha para quem enfrenta dificuldades financeiras.
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Equipados com sistema OCR (leitura óptica de caracteres), os veículos do Detran escaneiam placas em movimento e consultam instantaneamente a situação do licenciamento. O método, no entanto, é visto por especialistas como uma forma de fiscalização que deveria ter caráter educativo e pontual — não punitivo em larga escala. “É a indústria da multa em sua versão mais moderna”, resume um advogado de trânsito ouvido pela reportagem.
A principal crítica é à falta de diálogo com a população. O Detran-AM não realizou campanhas informativas nem divulgou previamente detalhes sobre a operação. A ausência de transparência levanta suspeitas quanto ao real objetivo da medida. “O mínimo seria informar os motoristas sobre a nova forma de fiscalização”, comentou um condutor que recebeu três multas em uma mesma semana.
Outro ponto sensível é o contexto econômico. Muitos motoristas admitem estar com o licenciamento em atraso por dificuldades financeiras. A nova operação, dizem, apenas agrava a situação, acumulando dívidas, pontos na carteira e até o risco de ter o veículo apreendido.
A população se pergunta até onde vai a sede arrecadatória do poder público. E quem vai conter o avanço de um modelo de fiscalização que, silencioso e automatizado, penaliza em massa sem oferecer alternativas reais de regularização ou conscientização.
Com informações Redação

