Especialista aponta que 40% dos brasileiros têm colesterol alterado

Em entrevista ao Conexão Onda, da Rede Onda Digital, nessa quarta-feira (12), Dia Nacional de Combate ao Colesterol, o médico cardiologista Rizziere Gomes desmistificou crenças comuns sobre o colesterol e alertou para os riscos da falta de acompanhamento. Segundo ele, o colesterol alto é um dos fatores de risco mais silenciosos para doenças cardiovasculares, que lideram as causas de morte no mundo.
“O colesterol alterado não dá sintomas. Por isso, a gente chama ele de uma das assassinas silenciosas”, afirmou.
40% dos brasileiros têm colesterol alterado
O médico destacou que cerca de 40% da população brasileira apresenta níveis alterados de colesterol. Desses, apenas 2 a 4% têm origem genética. “Mais de 90% são por comportamento”, explicou.
Alimentação inadequada, sedentarismo e outros hábitos de vida são, segundo ele, os principais responsáveis pelo problema. Gomes ressaltou que o colesterol é essencial ao organismo, já que 80% do colesterol circulante é produzido pelo fígado. O excesso de LDL, o chamado “colesterol ruim”, no entanto, pode levar ao entupimento das artérias, processo conhecido como aterosclerose, que causa infarto e AVC.
Magros também podem ter colesterol alto
Um dos principais mitos desfeitos pelo especialista é a ideia de que apenas pessoas acima do peso têm colesterol elevado. “Pessoas magras também podem ter colesterol alto”, afirmou.
Ele explicou que pessoas com metabolismo acelerado, que comem muito e não engordam, podem ter o perfil lipídico alterado pela alimentação desregrada. Alertou ainda para o risco dos “falsos magros”, pessoas com peso normal, mas alto percentual de gordura corporal. O médico também destacou que o colesterol alto pode atingir jovens, e não apenas idosos.
Rizziere Gomes explicou que o valor considerado normal para o colesterol não é igual para todo mundo. “Cada paciente é único”, afirmou.
Para pacientes de baixo risco, a meta de LDL é 115. Para hipertensos ou diabéticos, 100. Para quem já tem placas nas artérias, 70. Para quem já fez cirurgia no coração, 50. E para quem já infartou ou teve AVC, a meta é inferior a 39.
“Quanto maior o risco do paciente, mais rigorosa a meta de colesterol”, disse, reforçando a importância de consultar um médico para avaliação individualizada.
Mudança de hábito é o primeiro passo
O médico enfatizou que o medicamento nunca é a primeira opção. “Sempre a mudança do estilo de vida”, afirmou. Ele recomendou começar aos poucos: “Faça uma caminhada de 30 minutos por dia, 3 vezes por semana”.
Destacou também a importância de adotar um novo hábito por mês, para construir uma rotina sustentável. “Quem planta limão não colhe laranja-lima”, disse, ao reforçar que os cuidados com a saúde são uma construção diária, e não um projeto de curto prazo.
Estresse e sono são fatores de risco
Gomes também alertou para o impacto do estresse e da má qualidade do sono na saúde cardiovascular. Desde 2025, o sono é considerado um pilar fundamental de prevenção.
A alteração do cortisol, hormônio liberado em situações de estresse, aumenta a pressão arterial, o risco de diabetes e a fome, criando um ciclo que eleva o colesterol e outros fatores de risco. “70% da população brasileira tem ansiedade”, mencionou, citando dados do Ministério da Saúde, e reforçou que cuidar da saúde mental também é cuidar do coração.

