
O patrimônio declarado pelo deputado federal Alberto Barros Cavalcante Neto, o Capitão Alberto Neto, cresceu 132,5% entre 2022 e 2024, segundo as declarações apresentadas pelo próprio parlamentar à Justiça Eleitoral. O valor informado passou de R$ 312 mil para R$ 725.395,42, uma diferença nominal de R$ 413.395,42 em dois anos.
A declaração de 2022 registrava um apartamento avaliado em R$ 312 mil, localizado no bairro Parque 10 de Novembro, em Manaus. O mesmo imóvel permaneceu na declaração de 2024 pelo valor de R$ 312 mil. Na declaração apresentada em 2024, porém, o patrimônio passou a incluir, além do apartamento, R$ 200 mil em participação societária e R$ 213.395,42 em aplicações financeiras.

Participação societária e investimentos ampliam patrimônio
Entre as aplicações financeiras declaradas em 2024 estão R$ 153.192,49 em CDB do Banco do Brasil, R$ 40.064,31 em fundo de investimento de longo prazo e R$ 20.138,62 em CDB do Bradesco. Somados, os investimentos financeiros chegam a R$ 213.395,42. Quando agregados aos R$ 200 mil de participação societária, os dois grupos correspondem aos R$ 413.395,42 acrescentados ao patrimônio declarado em relação a 2022.
Com isso, o apartamento, que representava a totalidade dos bens declarados em 2022, passou a corresponder a aproximadamente 43% do patrimônio informado em 2024. A participação societária representa cerca de 27,6%, enquanto as aplicações financeiras correspondem a aproximadamente 29,4% do total.
A evolução patrimonial também pode ser observada nas declarações anteriores. Em 2018, Alberto Neto informou à Justiça Eleitoral que não possuía bens. Em 2020, passou a declarar o apartamento de R$ 312 mil, valor mantido em 2022.
Como o patrimônio declarado em 2018 era zero, não é possível estabelecer uma taxa percentual de crescimento a partir daquele valor. O dado objetivo é que, entre 2018 e 2024, o patrimônio informado à Justiça Eleitoral passou de nenhum bem declarado para R$ 725.395,42.

Acúmulo de remunerações
A evolução patrimonial ocorre anos depois de uma controvérsia envolvendo a situação funcional de Alberto Neto na Polícia Militar do Amazonas (PMAM). Em 2019, reportagens questionaram a permanência do então deputado federal na folha de pagamentos da corporação enquanto ele também recebia o subsídio parlamentar. O caso chegou ao Ministério Público do Estado do Amazonas (MPAM) por meio de procedimento que apurou eventual irregularidade nos pagamentos.
O procedimento foi posteriormente arquivado pelo MPAM. À época, Alberto Neto afirmou que os pagamentos eram legais e atribuiu a permanência na folha de ativos à demora na conclusão de sua transferência para a reserva remunerada.

