
Edson Claro, ex-diretor comercial de uma empresa ligada ao Careca do INSS, prestou mais de 80 horas de depoimentos à Polícia Federal e afirmou ter ouvido do empresário que Lulinha, filho mais velho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), receberia R$ 25 milhões por supostamente viabilizar um contrato de R$ 1 bilhão no Ministério da Saúde, além de uma mesada de R$ 300 mil.
Segundo informações divulgadas pela imprensa, Claro entregou aos investigadores materiais como mensagens, planilhas, fotografias e conversas de celular. As declarações passaram a integrar diferentes frentes de investigação relacionadas ao escândalo dos descontos indevidos em benefícios de aposentados e pensionistas.
O caso é investigado pela Polícia Federal e pela Controladoria-Geral da União desde a Operação Sem Desconto. A estimativa inicial divulgada pelas autoridades apontou cerca de R$ 6,3 bilhões em descontos associativos suspeitos no período investigado.
Por que o Careca do INSS teria ameaçado Edson Claro?
De acordo com o relato de Claro, o empresário teria tentado intimidá-lo para impedir que informações sobre seus negócios fossem reveladas.
O ex-executivo afirmou que Antunes chegou a dizer que iria “meter uma bala” em sua cabeça caso ele revelasse o que sabia.
A suposta ameaça foi considerada pelas autoridades entre os fundamentos para a prisão preventiva de Antunes, decretada em setembro de 2025.
O episódio, porém, possui versões conflitantes. Em 2026, Antunes apresentou à Polícia Civil uma versão diferente e negou ter feito a ameaça de morte. Segundo a defesa, a discussão estaria relacionada à devolução de veículos e a outros interesses empresariais.
O que Edson Claro afirmou sobre Lulinha?
Entre os pontos mais sensíveis dos depoimentos estão as declarações envolvendo Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha.
Claro afirmou ter ouvido de Antunes que Lulinha receberia R$ 25 milhões por supostamente ter ajudado a viabilizar um contrato de aproximadamente R$ 1 bilhão no Ministério da Saúde, relacionado à venda de testes rápidos para dengue e zika.
A informação aparece também em outras reportagens e documentos relacionados à CPMI do INSS. O relator da comissão, deputado Alfredo Gaspar, mencionou em seu relatório suposto pagamento de R$ 25 milhões a Lulinha, mas registrou que não estava definida a moeda da operação.
Importante: as acusações são atribuídas ao depoimento de uma testemunha e estão sob investigação. Não significam, por si só, comprovação de que Lulinha tenha recebido os valores ou cometido crime.
Houve também relato de uma suposta mesada de R$ 300 mil?
Edson Claro afirmou que Lulinha receberia uma mesada de R$ 300 mil. Segundo o relato apresentado à PF, os pagamentos teriam relação com pessoas próximas ao empresário e com negócios investigados.

