
Grupos virtuais originalmente destinados à negociação de eletrônicos e objetos usados foram convertidos em praças de comércio clandestino pelo crime organizado no Rio de Janeiro. Integrantes de facções como o Comando Vermelho (CV) e o Terceiro Comando Puro (TCP) vêm utilizando o WhatsApp para ofertar fuzis, pistolas, entorpecentes e veículos roubados.
A apuração realizada pela coluna Na Mira revelou negociações de armamentos de grosso calibre, incluindo um fuzil Parafal anunciado por R$ 165 mil, um AR-10 por R$ 80 mil e pistolas por R$ 15 mil. Os vendedores disponibilizam fotos, vídeos, especificações técnicas e detalhes sobre prazos de entrega diretamente nas conversas privadas.
Dinâmica das negociações e vitrine tecnológica
A estrutura do mercado paralelo exige convite ou indicação para entrada nos canais, dificultando o monitoramento policial. Nos grupos, os criminosos realizam demonstrações do funcionamento das armas, exibem numerações e assessórios para assegurar os compradores:
- Produtos comercializados: Fuzis, pistolas, celulares roubados, motos, carros e drogas.
- Rastreabilidade de armas: Um fuzil Taurus T4 ofertado nos grupos pertence a um homem conhecido como Pedro Bala, apontado como liderança do tráfico nas comunidades de Vila Kosmos e Juramento.
- Histórico do armamento: O mesmo fuzil anunciado já havia sido registrado em gravações do “aulão de drones” realizado por traficantes no Complexo da Penha.
Migração para o ambiente digital
A comercialização via aplicativos reduz a necessidade de deslocamentos e exposição física entre fornecedores e compradores. Ao estruturar catálogos virtuais e redes privadas de comunicação, as facções ampliam a circulação de armas de alto poder de destruição entre diferentes territórios e grupos criminosos.



