Estudo revela que a origem familiar é um dos principais fatores da mobilidade social no Brasil

A origem familiar tem um peso decisivo nas oportunidades de ascensão social no Brasil. É o que aponta o Atlas da Mobilidade Social, divulgado nesta quinta-feira (30) pelo Instituto Mobilidade e Desenvolvimento Social (IMDS), em parceria com o grupo de pesquisa Prospera Lab.
O levantamento mostra que filhos de famílias pobres enfrentam mais dificuldades para mudar de faixa de renda ao longo da vida, enquanto aqueles nascidos em lares mais ricos têm maior probabilidade de permanecer no topo.
Segundo o estudo, jovens cujos pais estavam entre os 25% mais pobres da população têm 48% de chance de continuar nesse mesmo grupo quando chegam à idade adulta. A possibilidade de alcançar uma posição de maior renda é limitada: apenas 8,32% conseguem chegar ao grupo dos 25% mais ricos e somente 1,28% atingem o grupo dos 10% com maior renda do país.
O cenário é diferente entre os filhos de famílias de alta renda. Entre aqueles cujos pais pertenciam aos 25% mais ricos, 56,5% permanecem nessa mesma faixa quando adultos, enquanto 30,8% conseguem chegar ao grupo dos 10% mais ricos.
Recorte por gênero e raça
O levantamento também mostra que gênero e raça influenciam a mobilidade social. Entre jovens brancos que nasceram entre os 25% mais pobres, 36,3% permanecem nessa faixa de renda na vida adulta. Entre pessoas não brancas, o índice sobe para 51,6%.
A diferença aparece ainda entre homens e mulheres. Entre filhos de famílias pobres, 32,9% dos homens continuam no mesmo grupo de renda quando adultos, enquanto entre as mulheres a proporção chega a 65,1%. No recorte racial e de gênero, 69% das mulheres não brancas permanecem entre os 25% mais pobres, contra 52,9% das mulheres brancas.
O estudo aponta que a educação é o fator mais associado à ascensão social. Municípios com melhores indicadores educacionais, como maior desempenho no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) e menor distorção idade-série, apresentam maiores chances de mobilidade de renda.
Os dados analisaram gerações nascidas entre 1983 e 1990 e indicam que, apesar de uma pequena melhora nas chances de ascensão, a desigualdade de oportunidades continua sendo reproduzida entre pais e filhos.
O Atlas utilizou informações da Receita Federal, dos Ministérios do Trabalho e Emprego e do Desenvolvimento Social, além de pesquisas do IBGE.
Informações SBT News

