Mais de dois mil produtos brasileiros, entre eles itens do agronegócio, mineração, energia e tecnologia, ficaram fora da sobretaxa de 12,5% imposta pelo governo dos Estados Unidos

Embora o governo dos Estados Unidos tenha imposto uma nova tarifa adicional de 12,5% sobre produtos brasileiros, uma extensa lista de exceções preservou alguns dos principais itens da pauta de exportação do Brasil. Ao todo, mais de 2.000 produtos ficaram isentos da sobretaxa anunciada pelo governo do presidente Donald Trump e continuarão entrando no mercado norte-americano sem a cobrança adicional.
A nova tarifa entra em vigor nesta sexta-feira (24) e foi aplicada após uma investigação conduzida pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974. Segundo o governo norte-americano, o Brasil não aplica de forma efetiva mecanismos para impedir a importação de mercadorias produzidas com trabalho forçado.
A sobretaxa de 12,5% se soma à tarifa de 25% anunciada anteriormente contra produtos brasileiros, elevando para até 37,5% a carga tarifária sobre parte das exportações nacionais. Apesar disso, setores estratégicos para a economia brasileira permaneceram protegidos graças à ampla lista de exceções divulgada pelo USTR.
Os principais produtos brasileiros que ficaram isentos
Entre os itens mais relevantes para o comércio entre Brasil e Estados Unidos estão isentos, no agronegócio, carne bovina fresca, refrigerada e congelada, carnes salgadas, secas e defumadas, línguas, fígados e demais miúdos bovinos, preparações de carne como corned beef, café em grão, torrado ou solúvel, chá verde, chá preto e erva-mate, suco de laranja, água de coco, suco de açaí e preparados para bebidas, castanha-do-pará, castanha de caju, coco, banana, manga, goiaba, mamão, abacaxi, abacate, laranja, limão, açaí, cacau em grão, manteiga de cacau, óleo de cacau, cacau em pó e açúcar dentro das cotas tarifárias previstas.
Também ficaram de fora da nova sobretaxa produtos como tomate, chuchu, fruta-pão, brotos de bambu, cogumelos secos, mandioca, inhame, taro, araruta, batata-semente, sementes de cereais, sementes de hortaliças e plantas destinadas ao cultivo.
Especiarias e alimentos processados
A lista inclui ainda pimenta, páprica, canela, cravo, baunilha, gengibre, cúrcuma, açafrão, cardamomo, cominho, coentro, curry, tapioca, frutas e vegetais conservados e produtos específicos de panificação.
Mineração e energia
Grande parte das commodities minerais exportadas pelo Brasil também permaneceu isenta, incluindo minério de ferro, manganês, níquel, cobre, alumínio (alguns derivados), estanho, nióbio, titânio, cobalto, prata, tungstênio, molibdênio, tântalo, urânio, fosfatos, grafite natural, enxofre, fluorita e vermiculita.
Na área de energia, continuam livres da nova tarifa petróleo bruto, derivados de petróleo, gás natural, querosene, lubrificantes, parafinas, coque de petróleo, betume, asfalto e energia elétrica.
Fertilizantes e produtos químicos
A relação de exceções também contempla importantes insumos para o setor agrícola e industrial, como ureia, sulfato de amônio, cloreto de potássio, fosfatos, fertilizantes orgânicos, fertilizantes minerais, soda cáustica, amônia, ácidos minerais e compostos químicos destinados à fabricação de defensivos agrícolas.
Madeira, borracha e celulose
Permaneceram isentos madeira tropical, madeira serrada, eucalipto, compensados específicos, celulose, látex natural, borracha natural, fibra de coco, sisal e juta.
Tecnologia e eletrônicos
Mesmo com a nova política comercial, diversos produtos de tecnologia ficaram fora da sobretaxa, entre eles computadores, notebooks, equipamentos para armazenamento de dados, peças para computadores, máquinas para fabricação de semicondutores, equipamentos para produção de chips, circuitos integrados, processadores, memórias, diodos, transistores, LEDs, componentes eletrônicos específicos e alguns smartphones e equipamentos de comunicação de dados.
Mais de 2 mil produtos ficaram fora da sobretaxa
A lista publicada pelo governo dos Estados Unidos reúne mais de 2.000 códigos tarifários considerados estratégicos para a indústria norte-americana ou essenciais para cadeias globais de produção. Além de produtos brasileiros, as exceções também se aplicam aos demais países atingidos pela investigação conduzida pelo USTR.
Com isso, embora parte das exportações brasileiras passe a enfrentar uma carga tarifária de até 37,5%, importantes segmentos do agronegócio, mineração, energia, indústria química e tecnologia continuam preservados da nova sobretaxa, reduzindo os impactos imediatos sobre algumas das principais vendas do Brasil ao mercado norte-americano.

