
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disse que, no que depender dele, pretende ganhar a eleição presidencial no primeiro turno. A declaração ocorreu na convenção nacional do PDT em Brasília e expõe o otimismo do presidente após melhora da avaliação nas pesquisas de intenção de voto nas últimas semanas.
“Mais uma vez espero que a gente (PT e PDT) esteja junto na construção da nossa proposta política. Se depender de mim, vamos ganhar as eleições no primeiro turno”, afirmou, após gritos de pedetistas de expectativa de vitória no primeiro turno.
A participação na convenção nacional do PDT é a primeira de Lula como pré-candidato à Presidência e dá início ao período de intensificação da campanha política.
Lula chegou ao palco por volta das 19h30. Antes, seu nome foi anunciado pelo presidente do PT, Edinho Silva, por volta das 19h A equipe do presidente da República tem tomado cuidado com suas participações em eventos com cunho eleitoral. Ele deve participar apenas em horários considerados como fora do expediente – em geral, depois das 18h.
O presidente disse, em seu discurso, que “a política apodreceu” no Brasil nos últimos anos. Também reclamou das decisões durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e disse que “quase todas políticas públicas que tinham virado conquistas do povo foram destruídas”. Por isso, disse o presidente, seu governo teria feito muito, mas “ainda pouco pelo tanto que o povo necessita”.
Lula defendeu que o Brasil “não terá solução se a gente não nacionalizar as escolas de tempo integral para todas as crianças”, em um indicativo da importância que o tema deve ter em seu plano de governo.
O presidente criticou o que chamou de “traidores que vão aos Estados Unidos pedir que punam o Brasil”. Não mencionou o nome do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ou de seu irmão Eduardo Bolsonaro, mas o alvo do ataque ficou claro. Na semana passada, o governo norte-americano anunciou a imposição de uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros.
Ironia a Marco Rubio
Lula ironizou o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio. O presidente disse que se ele quiser vir ao Brasil para apoiar o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República, “que venha e monte um comitê”.
“Estou convidando quem quiser vir do mundo para ver as eleições aqui no Brasil. Quem quiser pode vir acompanhar. Se o secretário de Estado americano, Marco Rubio, quiser vir apoiar o meu adversário, que venha e monte um comitê. Porque a gente vai derrotar todos em nome da defesa da democracia neste país”, disse o presidente da República.
O petista também defendeu a soberania brasileira, seguindo uma linha de discurso que se tornou recorrente em suas falas públicas. Disse que “nós erramos por nós e acertamos por nós e ninguém nos diz o que fazer, nós decidimos o que fazer”, menos de uma semana após o governo americano ter anunciado a imposição de uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros.
Na última quinta-feira (16), após o anúncio das tarifas americanas, o secretário de Estado dos EUA afirmou, na sua conta do X, que a taxação havia ocorrido porque Lula “priorizou seu próprio ego em detrimento de um acordo pelo bem-estar do povo brasileiro” e o governo brasileiro não teria negociado de “boa-fé”. Rubio já disse que o Brasil é uma “exceção” em uma América Latina cheia de aliados do governo americano.
Segundo reportagem publicada pelo jornal americano The New York Times no último dia 11, Rubio tem atuado como governante de facto da Venezuela desde janeiro, quando os Estados Unidos capturaram o ditador do país, Nicolás Maduro, em uma operação. Rubio mantém contato próximo com a presidente venezuelana, Delcy Rodríguez, e efetivamente controlaria as finanças, a distribuição de recursos naturais e o governo do país latino-americano.
A participação na convenção nacional do PDT é a primeira de Lula como pré-candidato à Presidência e dá início ao período de intensificação da campanha política.

