Em entrevista exclusiva ao SBT News, ex-presidente comenta o iminente tarifaço americano e crítica possível reciprocidade

O ex-presidente Michel Temer criticou nesta quarta-feira (15), em entrevista exclusiva ao Poder Expresso, a postura do governo brasileiro diante do iminente tarifaço norte-americano, previsto para ser anunciado ainda hoje. Temer não citou o presidente Luiz Inácio Lula nominalmente, mas deu a entender que esse tipo de impasse requer uma atuação mais direta do chefe do Palácio do Planalto.
“O presidente brasileiro deveria telefonar, procurar, como já teve contato com o presidente americano [Donald Trump], para fazer uma visita [aos Estados Unidos], enfim. [O presidente brasileiro deveria] dialogar novamente de maneira que pudesse haver a redução de uma eventual sobretaxa. Acho que esta é a posição. Eu [se estivesse no cargo] telefonaria [para o Trump]”, disse Temer.
Sobre isso, o ex-presidente acrescentou que, mesmo se Trump recusasse um telefonema do presidente brasileiro, o desgaste político recairia sobre a Casa Branca. “Se ele não atender, o presidente [brasileiro] pode dizer que fez tudo o que estava ao seu alcance. Aí o problema passa a ser mais deles do que do Brasil”, afirmou.
Para ele, o governo brasileiro deveria insistir na negociação direta entre os chefes de Estado, em vez de recorrer ao corpo diplomático, como tem acontecido nas últimas semanas. “Faltou diálogo entre os presidentes de cada lado. […] O caminho é dialogar para tentar reduzir uma eventual sobretaxa”, disse.
Neste sentido, Temer também disse que não adotaria a lei de reciprocidade contra a economia americano, como já está sendo especulado pelo Ministério da Fazenda.
“Eu creio que faltou mais diálogo. Alguns produtos não foram sobretaxados porque entidades produtivas brasileiras entraram em contato com autoridades e setores produtivos americanos. Isso mostra que o diálogo funciona”, afirmou.
Por fim, Temer defendeu que a imposição de tarifas tende a impactar diretamente o consumidor dos Estados Unidos, o que também gera resistência interna e desgaste para o próprio Trump.
Esta quarta-feira (15) marca o prazo final para que o governo americano decida sobre a possível aplicação de um novo pacote de tarifas contra produtos brasileiros. A medida é acompanhada com atenção por empresas e investidores. Caso o chamado “tarifaço” seja confirmado, o Brasil poderá passar a ter a segunda maior tarifa média efetiva entre os principais fornecedores dos Estados Unidos, ficando atrás apenas da China.
Informações SBT News

