
Nossa equipe teve acesso, com exclusividade, a documentos oficiais que lançam novos elementos sobre as investigações envolvendo o uso de aparelhos celulares por Melqui Galvão durante o período em que esteve custodiado no sistema prisional.
Os documentos mostram que o problema não se restringiu ao período em que Melqui esteve preso em Manaus. Conforme já investigado anteriormente, ele teria utilizado um aparelho celular de forma clandestina para manter comunicação com pessoas do lado de fora da unidade prisional. As investigações apontam que o dispositivo também teria sido utilizado para intimidar e coagir testemunhas relacionadas ao caso.
A expectativa era de que a transferência para uma unidade prisional em São Paulo interrompesse esse tipo de comunicação. No entanto, os documentos obtidos pela reportagem indicam que isso não ocorreu.
Em 25 de junho de 2026, uma operação realizada por equipes da Polícia Civil no presídio onde Melqui estava custodiado, motivada por denúncias sobre a existência de aparelhos eletrônicos ilegais, resultou na apreensão de diversos celulares, carregadores e fones de ouvido.
Segundo o auto de apreensão, um dos aparelhos foi localizado escondido nas vestes íntimas de Melqui Galvão durante a revista realizada pelos policiais.
A documentação obtida pela equipe inclui ainda o relatório de extração e análise do conteúdo do celular apreendido. O material registra contatos mantidos com familiares e pessoas próximas, além de outros elementos que passaram a integrar a investigação conduzida pelas autoridades.
A sequência dos fatos chama atenção por estabelecer um paralelo entre os dois episódios. Em Manaus, as investigações apontaram o uso clandestino de celular para manter comunicação externa e, segundo os investigadores, influenciar o andamento do processo por meio da coação de testemunhas. Meses depois, já em uma unidade prisional paulista, um novo aparelho voltou a ser apreendido em poder de Melqui.
Os documentos reforçam um dos principais desafios enfrentados pelo sistema penitenciário brasileiro: impedir a entrada e a utilização de celulares por pessoas privadas de liberdade, especialmente em casos de grande repercussão, nos quais a comunicação externa pode impactar investigações e processos judiciais.


