
Após questionar o resultado da eleição e levantar suspeitas de fraude, presidente da Colômbia afirmou que deixará o cargo em 6 de agosto
O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, afirmou ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) que deixará o cargo em 6 de agosto e que fará uma “transição pacífica”. A declaração foi feita durante uma ligação telefônica entre os dois líderes nesta quinta-feira (9), em meio ao aumento da tensão política no país após a eleição presidencial.
O presidente eleito, Abelardo de la Espriella, acusou o governo Petro de “destruir a Colômbia” e suspendeu o processo de transição após o líder colombiano questionar o resultado da eleição e levantar suspeitas de fraude. Observadores internacionais, no entanto, validaram a transparência do pleito.
Em nota publicada no X, Lula disse que Petro reafirmou seu compromisso com a democracia. O presidente brasileiro agradeceu pela amizade e pela cooperação com o Brasil e destacou a atuação do colombiano em temas como integração regional, preservação da Amazônia e combate ao narcotráfico e ao crime organizado.
Na nota, Lula afirmou que Brasil e Colômbia estão unidos por uma ampla agenda de interesses comuns e disse que os dois países “terão somente a ganhar se continuarem trabalhando juntos”. Ele também lembrou que, nos três anos e meio em que coincidiu com Petro no poder, fez cinco viagens à Colômbia e recebeu o presidente colombiano diversas vezes no Brasil.
De la Espriella foi eleito com 49,66% dos votos, contra 48,70% do senador de esquerda Iván Cepeda, aliado de Petro. A vitória por margem estreita serviu de pano de fundo para a crise política desencadeada pelas alegações de fraude feitas pelo presidente colombiano, que citou supostos boletins sem assinatura dos mesários.
Um cenário semelhante também se desenrolou no Peru. No país vizinho, o candidato de esquerda Roberto Sánchez se recusou inicialmente a reconhecer o resultado da eleição presidencial, alegando, sem apresentar provas, que houve fraude no processo eleitoral e que votos registrados no exterior teriam sido manipulados para favorecer a adversária, Keiko Fujimori.
Fujimori foi declarada vencedora com 50,135% dos votos, contra 49,865% de Sánchez. O candidato de esquerda chegou a levar a contestação à Comissão Interamericana de Direitos Humanos, mas reconheceu a derrota dias depois da confirmação oficial do resultado, encerrando o impasse político.

