Organização Meteorológica Mundial afirma que fenômeno está se fortalecendo no Oceano Pacífico e deve provocar calor recorde e eventos climáticos extremos em diversas regiões do planeta.

A Organização Meteorológica Mundial (OMM), agência meteorológica da Organização das Nações Unidas (ONU), anunciou nesta sexta-feira (3) que elevou sua previsão para o desenvolvimento de um forte El Niño nos próximos meses.
Segundo a entidade, há um consenso entre os modelos climáticos de que o fenômeno já está se formando no Pacífico Equatorial e deverá ganhar intensidade ao longo do segundo semestre.
A OMM informou ainda que poderá revisar novamente a previsão caso os próximos dados indiquem um evento de intensidade ainda maior.
O que é o El Niño?
O El Niño é um fenômeno climático caracterizado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial.
Esse aquecimento altera a circulação da atmosfera e influencia o regime de chuvas e temperaturas em diversas partes do mundo.
Normalmente, o fenômeno dura entre nove e doze meses, mas seus impactos podem permanecer por um período mais longo.
Quais impactos são esperados?
Segundo a OMM, um El Niño forte aumenta significativamente a probabilidade de eventos meteorológicos extremos.
Entre os principais efeitos previstos estão:
aumento das temperaturas globais;
recordes de calor em diversas regiões;
períodos de seca acima do normal;
mudanças no regime de chuvas;
maior ocorrência de eventos climáticos severos.
De acordo com o cientista da OMM, Álvaro Silva, anos marcados pelo El Niño costumam registrar as maiores temperaturas médias já observadas no planeta.
Quais regiões podem ser mais afetadas?
As previsões sazonais da ONU indicam condições mais secas do que o normal em várias partes do mundo.
Entre as regiões citadas estão:
América do Sul;
América Central;
Caribe;
partes da América do Norte;
sul da Ásia durante o período das monções;
Indonésia e países do Sudeste Asiático.
Cada região poderá experimentar impactos diferentes, variando entre estiagens prolongadas, ondas de calor e alterações no volume de chuvas.
O que aconteceu na Europa?
A atualização da OMM ocorre poucos dias após a Europa registrar a pior onda de calor de sua história recente entre 20 e 28 de junho.
Segundo especialistas, as altas temperaturas provocaram:
sobrecarga dos sistemas de saúde;
interrupções na geração de energia;
danos à infraestrutura.
Os cientistas destacam que o calor extremo foi impulsionado pelas mudanças climáticas, e o fortalecimento do El Niño pode contribuir para elevar ainda mais as temperaturas médias globais.
Como o El Niño pode afetar o Amazonas?
Embora a OMM tenha apresentado uma previsão global, historicamente episódios intensos de El Niño costumam aumentar o risco de estiagens na Amazônia.

