Além das ordens de prisão, foram cumpridos 14 mandados de busca e apreensão

O pastor e empresário Márcio Poncio foi preso pela Polícia Federal na manhã desta quinta-feira (2), durante a quinta fase da Operação Unha e Carne, que investiga um esquema de lavagem de dinheiro ligado ao jogo do bicho, à chamada “Máfia do Cigarro” e a possíveis conexões com agentes públicos no Rio de Janeiro.
A prisão foi determinada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que também expediu outros dois mandados de prisão contra o contraventor Adilson Oliveira Coutinho Filho, conhecido como Adilsinho, apontado como líder da atual cúpula do jogo do bicho, e o ex-deputado estadual Rodrigo Bacellar. Ambos já estavam presos. Além das ordens de prisão, foram cumpridos 14 mandados de busca e apreensão, entre eles contra o ex-deputado Marco Antônio Cabral.
Márcio Poncio foi localizado em um flat na Barra da Tijuca, na zona oeste do Rio de Janeiro. Conhecido por atuar como pastor da Igreja da Nuvem e empresário, ele também é pai da deputada estadual Sarah Poncio e do cantor Saulo Poncio. Segundo as investigações, o religioso é suspeito de manter ligação com o esquema criminoso investigado pela Polícia Federal.
De acordo com a corporação, a quinta etapa da Operação Unha e Carne busca aprofundar a apuração sobre a lavagem de dinheiro atribuída ao grupo comandado por Adilsinho e identificar possíveis ramificações da organização criminosa nos poderes Executivo e Legislativo fluminenses. A decisão judicial também determinou o bloqueio de bens e valores que podem chegar a R$ 22 milhões.
A Operação Unha e Carne teve início em dezembro de 2025 para apurar o vazamento de informações sigilosas relacionadas a ações policiais contra o crime organizado. Ao longo das fases da investigação, a Polícia Federal prendeu autoridades, parlamentares e outros investigados suspeitos de favorecer organizações criminosas. Com a nova etapa, o número de presos no âmbito da operação chega a pelo menos sete, entre eles Rodrigo Bacellar, o desembargador Macário Ramos Júdice Neto, o deputado estadual Thiago Rangel, Adilsinho e, agora, o pastor Márcio Poncio.
Segundo a Polícia Federal, as investigações tiveram origem na Operação Fumus, deflagrada em 2021 para combater o monopólio ilegal do mercado de cigarros no Grande Rio. Durante as apurações, foram encontradas planilhas que indicariam pagamentos ilícitos, doações eleitorais e movimentações financeiras suspeitas relacionadas à lavagem de dinheiro, ampliando o foco das investigações para possíveis vínculos entre organizações criminosas e agentes públicos.

