
A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro fez críticas públicas ao senador Flávio Bolsonaro (PL) na tarde desta quarta-feira (24), por meio de vídeos divulgados nas redes sociais. Nas gravações, ela afirmou ter recebido uma “punhalada” do parlamentar e disse ter sido “maltratada” e “desrespeitada” por ele. As declarações ocorreram em meio a divergências internas envolvendo articulações políticas do partido no Ceará e expuseram um conflito dentro do núcleo mais próximo da família Bolsonaro.
Michelle dedicou cerca de 26 minutos, divididos em dois vídeos, para relatar episódios de desgaste com o enteado. Durante o pronunciamento, a ex-primeira-dama afirmou que chegou à conclusão de que seu apoio político não era desejado ou valorizado pelo senador. “Entendi que ele não queria o meu apoio ou que este era insignificante”, disse.
Michelle também relatou que a crise teve origem em uma conversa telefônica com o senador após divergências sobre as articulações do PL no Ceará. Segundo ela, Flávio teria reagido de forma dura às suas críticas. “Ele retornou a ligação. Mas, sinceramente, para dizer o que me disse, teria sido melhor que não tivesse ligado”, afirmou. Em outro trecho, a ex-primeira-dama declarou que o senador foi “muito ríspido”, a “desrespeitou” e a “maltratou ao telefone”, além de dizer que seria melhor que ela ficasse fora das decisões do partido porque teria “chegado ontem” e não entenderia de política.
Ao rebater informações que circulavam nos bastidores políticos, Michelle afirmou que decidiu se manifestar para contestar versões divulgadas à imprensa. Ela disse acreditar que pessoas próximas ao senador tentam desqualificar sua atuação política. “Eles me tratam como se eu fosse idiota, como se eu fosse alguém que chegou ontem, mas eu não sou”, declarou. A ex-primeira-dama acrescentou que ela e Flávio não se falam desde o episódio e afirmou que, apesar disso, o senador frequenta regularmente sua residência.

Divergências políticas
As críticas foram relacionadas principalmente às articulações do Partido Liberal (PL) no Ceará, onde o deputado federal André Fernandes, colega de partido de Michelle e Flávio, fechou aliança com o ex-governador e candidato Ciro Gomes (PSDB), outrora crítico de Jair. Segundo informações divulgadas pela imprensa, Michelle atribui a Flávio responsabilidade por movimentações políticas que provocaram desconforto e divergências dentro do grupo político ligado ao ex-presidente Jair Bolsonaro.
O episódio ocorre em um momento importante para o campo bolsonarista. Flávio Bolsonaro é apontado como o nome escolhido pelo ex-presidente para disputar a Presidência da República nas eleições de 2026 e vinha buscando fortalecer sua posição como principal representante do grupo político na corrida eleitoral. O filho do ex-presidente, no entanto, sofre queda nas pesquisas após vazamento de conversas suas com o banqueiro Daniel Vorcaro, dono e pivô do escândalo do Banco Master.
As declarações também surgem após relatos de bastidores sobre divergências entre aliados de Michelle e integrantes da pré-campanha do senador. Reportagens publicadas nas últimas semanas já apontavam incômodo entre membros da equipe de Flávio em relação ao posicionamento da ex-primeira-dama sobre a candidatura presidencial. Até o momento das publicações que repercutiram o pronunciamento, não havia registro de resposta pública de Flávio Bolsonaro às críticas feitas por Michelle.

