
Fim de relacionamentos, saída dos filhos de casa e diagnósticos de doenças estão entre as situações que podem afetar significativamente a saúde mental
Quando se fala em luto, muitas pessoas pensam imediatamente na morte de alguém querido. Mas e quando a dor nasce de uma perda que não envolve um funeral ou uma despedida definitiva?
No Dia Nacional do Luto, lembrado neste 19 de junho, especialistas chamam atenção para uma realidade pouco discutida: nem todo processo está relacionado à morte. O fim de um casamento, uma demissão inesperada, a aposentadoria, o diagnóstico de uma doença crônica, a perda da autonomia física ou até a saída dos filhos de casa podem desencadear um sofrimento profundo, muitas vezes silencioso e pouco compreendido por quem está ao redor.
“Dependendo da importância do que foi perdido, a intensidade do sofrimento pode ser muito grande. Isso porque o cérebro reage não apenas à ausência de pessoas, mas também à ruptura de vínculos, projetos, rotinas e papéis que ajudavam a construir a identidade e o sentido da vida”, pontua o psiquiatra da Hapvida, Lívio Leal.
Ele alerta que, embora muitas vezes essas perdas sejam invisíveis aos olhos de quem está ao redor, a tristeza profunda desencadeada por esse processo de despedida pode afetar a saúde mental e exigir acolhimento, assim como acompanhamento profissional.
“Existe uma falsa ideia de que, como não houve uma morte, essas situações podem ser mais fáceis de superar, mas nem sempre é assim”, orienta o médico.
Despedidas
As explicações do psiquiatra ajudam a entender por que algumas mudanças consideradas “naturais” podem provocar sentimentos tão intensos de tristeza, vazio e desorientação.
É o caso de uma separação amorosa. “Términos e divórcios, por exemplo, são vivenciados em forma de luto, com sentimentos de falta, tristeza, mistura de lembranças, saudades, negação, resistência e recusa, às vezes também combinados com sentimentos negativos de raiva, amargura e rancor”, frisa Leal.
O sentimento pode se estender à aposentadoria ou à perda de um emprego construído ao longo de décadas. “Isso também pode representar uma sensação de perda de uma identidade social”, reflete o profissional.
Outro exemplo pouco discutido é a chamada Síndrome do Ninho Vazio, expressão popular utilizada para descrever o sofrimento vivido por pais que enfrentam a saída dos filhos de casa. “Aquele familiar não consegue se adaptar à nova dinâmica da casa e permanece muito apegado ao jeito que as coisas eram antes”, observa o especialista.
O mesmo pode acontecer após o diagnóstico de uma doença crônica ou incapacitante. Nesses casos, o indivíduo muitas vezes precisa lidar com a perda do próprio corpo saudável, da autonomia, de projetos futuros e até da sensação de estar mais vulnerável à morte.
“Somos obrigados a enfrentar o luto daquilo que acreditávamos ser. Perdemos capacidades, planos e até a ideia de que estamos distantes da fragilidade humana”, considera o especialista.
Ninguém vê
Diferentemente de perder alguém por morte, situação que naturalmente desperta acolhimento e solidariedade de terceiros, os chamados “lutos invisíveis” podem, equivocadamente, encontrar outro caminho: o do julgamento.
Frases como “isso é frescura”, “já passou da hora de superar” ou “pelo menos ninguém morreu” são comuns e podem aumentar ainda mais o sofrimento, alerta o médico.
“O luto é sempre uma experiência subjetiva. Só quem perdeu sabe o que perdeu e o quanto aquilo era importante. Quando a dor é minimizada, a pessoa se sente ainda mais sozinha, incompreendida e sem apoio para enfrentar aquele momento”, ensina Leal.
Luto sem morte: por que algumas perdas machucam tanto quanto uma despedida irreversível?
Fim de relacionamentos, saída dos filhos de casa e diagnósticos de doenças estão entre as situações que podem afetar significativamente a saúde mental
Quando se fala em luto, muitas pessoas pensam imediatamente na morte de alguém querido. Mas e quando a dor nasce de uma perda que não envolve um funeral ou uma despedida definitiva?
No Dia Nacional do Luto, lembrado neste 19 de junho, especialistas chamam atenção para uma realidade pouco discutida: nem todo processo está relacionado à morte. O fim de um casamento, uma demissão inesperada, a aposentadoria, o diagnóstico de uma doença crônica, a perda da autonomia física ou até a saída dos filhos de casa podem desencadear um sofrimento profundo, muitas vezes silencioso e pouco compreendido por quem está ao redor.
“Dependendo da importância do que foi perdido, a intensidade do sofrimento pode ser muito grande. Isso porque o cérebro reage não apenas à ausência de pessoas, mas também à ruptura de vínculos, projetos, rotinas e papéis que ajudavam a construir a identidade e o sentido da vida”, pontua o psiquiatra da Hapvida, Lívio Leal.
Ele alerta que, embora muitas vezes essas perdas sejam invisíveis aos olhos de quem está ao redor, a tristeza profunda desencadeada por esse processo de despedida pode afetar a saúde mental e exigir acolhimento, assim como acompanhamento profissional.
“Existe uma falsa ideia de que, como não houve uma morte, essas situações podem ser mais fáceis de superar, mas nem sempre é assim”, orienta o médico.
Despedidas
As explicações do psiquiatra ajudam a entender por que algumas mudanças consideradas “naturais” podem provocar sentimentos tão intensos de tristeza, vazio e desorientação.
É o caso de uma separação amorosa. “Términos e divórcios, por exemplo, são vivenciados em forma de luto, com sentimentos de falta, tristeza, mistura de lembranças, saudades, negação, resistência e recusa, às vezes também combinados com sentimentos negativos de raiva, amargura e rancor”, frisa Leal.
O sentimento pode se estender à aposentadoria ou à perda de um emprego construído ao longo de décadas. “Isso também pode representar uma sensação de perda de uma identidade social”, reflete o profissional.
Outro exemplo pouco discutido é a chamada Síndrome do Ninho Vazio, expressão popular utilizada para descrever o sofrimento vivido por pais que enfrentam a saída dos filhos de casa. “Aquele familiar não consegue se adaptar à nova dinâmica da casa e permanece muito apegado ao jeito que as coisas eram antes”, observa o especialista.
O mesmo pode acontecer após o diagnóstico de uma doença crônica ou incapacitante. Nesses casos, o indivíduo muitas vezes precisa lidar com a perda do próprio corpo saudável, da autonomia, de projetos futuros e até da sensação de estar mais vulnerável à morte.
“Somos obrigados a enfrentar o luto daquilo que acreditávamos ser. Perdemos capacidades, planos e até a ideia de que estamos distantes da fragilidade humana”, considera o especialista.
Ninguém vê
Diferentemente de perder alguém por morte, situação que naturalmente desperta acolhimento e solidariedade de terceiros, os chamados “lutos invisíveis” podem, equivocadamente, encontrar outro caminho: o do julgamento.
Frases como “isso é frescura”, “já passou da hora de superar” ou “pelo menos ninguém morreu” são comuns e podem aumentar ainda mais o sofrimento, alerta o médico.
“O luto é sempre uma experiência subjetiva. Só quem perdeu sabe o que perdeu e o quanto aquilo era importante. Quando a dor é minimizada, a pessoa se sente ainda mais sozinha, incompreendida e sem apoio para enfrentar aquele momento”, ensina Leal.


