
O cabo Cauan Alencar Bastos e o soldado José Otávio Ribeiro são investigados pela morte do eletricista Igor Eduardo Hyppolito Rodrigues, de 45 anos, ocorrida após uma abordagem policial em São Paulo. Registros das câmeras corporais dos agentes mostram que um dos policiais declarou que iria matar a vítima antes mesmo de sair da viatura e abrir fogo.

Imagens contradizem depoimento dos policiais
As gravações das bodycams mostram o momento em que o cabo Cauan afirma: “Peraí que eu vou matar ele, eu vou dar tiro”. Logo em seguida, ele desembarca da viatura efetuando disparos contra Igor.
Segundo os registros, o cabo realizou seis disparos, enquanto o soldado efetuou um tiro de dentro do veículo policial. Após os disparos, os agentes se aproximam da vítima, que já estava caída e ferida no asfalto.
Em depoimento à Polícia Civil, os policiais apresentaram uma versão diferente. Eles alegaram que Igor teria avançado contra a equipe e que os tiros foram efetuados para impedir uma suposta agressão.
Caso começou após discussão de trânsito
De acordo com as investigações, os policiais foram acionados por um motoboy que relatou ter se envolvido em uma discussão de trânsito com Igor. O entregador afirmou que o eletricista estaria portando uma faca.
Familiares da vítima reconhecem que Igor carregava o objeto, mas afirmam que ele não representava risco aos policiais no momento da abordagem. Eles também questionam a ausência de equipamentos não letais que poderiam ter evitado o desfecho fatal.
Baleado, Igor foi socorrido e levado ao Hospital de Taipas, mas não resistiu aos ferimentos.

Vítima era autista e fazia tratamento
Parentes informaram que Igor havia sido diagnosticado na infância como neurodivergente e realizava acompanhamento médico. Segundo familiares, ele apresentava traços de autismo, TDAH e epilepsia, mas levava uma vida funcional e trabalhava há anos como eletricista.
Pessoas próximas afirmam que ele atravessava problemas pessoais nas semanas anteriores ao episódio e acreditam que isso possa ter influenciado seu comportamento no dia da ocorrência.
PMs foram afastados
A Secretaria da Segurança Pública de São Paulo informou que os dois policiais foram afastados das atividades operacionais por determinação judicial.
O caso é investigado pelo Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP), além da Corregedoria da Polícia Militar. A corporação afirmou que não compactua com excessos ou desvios de conduta e que todas as imagens da ocorrência estão sendo analisadas.
A defesa dos policiais não havia se manifestado até a última atualização do caso.

