Mensagens indicam pagamento de R$ 350 mil em espécie ao senador e presidente do Progressistas

Investigação da Polícia Federal aponta que uma empresa ligada ao senador e presidente do Progressistas Ciro Nogueira (PP-PI) recebeu mesadas do ex-banqueiro Daniel Vorcaro que somaram um valor de pelo menos R$ 6 milhões. Os repasses teriam acontecido entre junho de 2024 e agosto de 2025.
O sigilo da investigação foi levantado nesta terça-feira (16) pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF). No documento, a PF diz que o senador mantinha uma “relação pessoal estreita, contínua e marcada por elevado grau de intimidade” com o dono do Banco Master.
Em mensagens encontradas no celular de Vorcaro, Ciro diz ao ex-banqueiro que é “um dos seus maiores” amigos e que estava “com saudades” e “às ordens” dele.
O senador é investigado por supostamente beneficiar os interesses do Master no Congresso Nacional. Em contrapartida, Nogueira teria tido custeados viagens internacionais, hotéis e restaurantes de luxo, além de ter recebido mesadas que variavam entre R$ 300 mil e R$ 500 mil por mês.
Os pagamentos foram relatados em mensagens trocadas entre Daniel Vorcaro e seu primo Felipe Vorcaro. “Os diálogos analisados demonstram ciência, anuência e prioridade atribuída por Vorcaro à manutenção desses repasses, os quais, no intervalo temporal identificado, totalizam montante mínimo estimado em R$ 6.000.000,00”, diz a PF.
Também foram encontradas mensagens em que Vorcaro manda uma mensagem a Fabiano Zettel, seu cunhado e apontado como o operador financeiro do esquema, em que diz que “Resolve Ciro (…). Manda agora lá”.
Na sequência, Zettel encaminha uma lista de pagamentos com a seguinte descrição: “Nota Ciro mais imposto 2. Espécie Ciro 350k”, o que, segundo a PF, indica “que o pagamento teria como destinatário indivíduo identificado pelo nome ‘Ciro’, no valor de 350.000, a ser realizado em espécie”.
Também é investigada a venda de 30% de uma empresa, a Green Energia Fundo de Investimento, em valor incompatível com o do mercado e por meio de um “contrato de gaveta”. A empresa de Ciro teria adquirido parte da Green por R$ 1 milhão, sendo que o valor, segundo a PF, deveria ser de R$ 12 milhões.
Benefícios ao Master
Em contrapartida aos pagamentos, Ciro Nogueira teria tentado beneficiar o Master no Congresso Nacional. Um dos caminhos, segundo as investigações, teria acontecido por meio da apresentação de uma proposta que visava elevar o limite da cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) de R$ 250 mil para R$ 1 milhão.
A “Emenda Master”, como ficou conhecida, foi elaborada por um funcionário do banco, entregue na casa do senador no início da tarde do dia 13 de agosto de 2024 e protocolada por Ciro horas depois, segundo a PF.
A investigação também apontou outros possíveis atos de ofício praticados pelo senador em favor de Vorcaro. As medidas dizem respeito a dois projetos de lei que foram entregues por um motorista do banqueiro ao assessor Victor de Freitas. Trocas de mensagens mostraram que Vorcaro chegou a pedir que o envelope com o material, inicialmente grafado com a imagem do Master, fosse substituído por um branco.
Procurado, o senador Ciro Nogueira ainda não se manifestou.

