Eduardo Bolsonaro sugeriu que o Brasil usasse mecanismos para ceder em mesas de negociação e evitar as sanções, citando o Zelle

Uma fala do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro durante uma entrevista, gerou forte repercussão nas redes sociais brasileiras entre a noite de quarta-feira (3) e a manhã de hoje (4).
O político sugeriu colocar o Pix em negociação comercial com os Estados Unidos, cogitando inclusive a substituição do sistema brasileiro pelo Zelle. O comentário ocorreu após o governo americano anunciar, no início da mesma semana, uma proposta de taxação sobre produtos do Brasil como retaliação ao modelo de funcionamento do Pix.
A recomendação do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) prevê aplicar uma sobretaxa de 25% sobre produtos exportados pelo Brasil.
Os americanos alegam formalmente que o Pix, por ser público, gratuito e administrado pelo Banco Central, desfavorece empresas privadas dos EUA do setor de cartões e pagamentos eletrônicos.
Ao comentar o relatório, Eduardo Bolsonaro sugeriu que o Brasil usasse mecanismos semelhantes para ceder em mesas de negociação e evitar as sanções, citando o Zelle como um equivalente ao Pix que poderia entrar nos debates comerciais.
Embora tenham sido comparados, o Pix e o Zelle possuem estruturas completamente opostas de funcionamento. Enquanto o modelo brasileiro é uma infraestrutura totalmente pública, obrigatória para grandes bancos e com gratuidade total e acesso universal 24 horas por dia, o Zelle é um consórcio privado.
Controlado por uma empresa de propriedade de grandes bancos americanos, como JPMorgan Chase e Bank of America, o sistema dos EUA tem adesão voluntária, alcance fragmentado, além de impor maiores limites diários e possíveis taxas.
Diante da intensa repercussão negativa nas redes sociais, onde parlamentares e internautas o acusaram de atentar contra a soberania digital e financeira do país, Eduardo Bolsonaro recuou.
O ex-parlamentar publicou um vídeo de resposta negando que tivesse defendido o fim definitivo da ferramenta brasileira e afirmou que apenas citou o Zelle para ilustrar que ambos os países possuem tecnologias equivalentes que poderiam ser debatidas comercialmente.

