Parentes da vítima acompanharam o segundo dia do júri e criticaram declarações da defesa, que sustenta a inocência do acusado.

O segundo dia do julgamento de Gil Romero, acusado pela morte de Débora da Silva Alves, grávida de oito meses, foi marcado por forte comoção e manifestações da família da vítima no Fórum Ministro Henoch Reis, na zona Sul de Manaus.
Durante a manhã desta quinta-feira (28), parentes de Débora acompanharam a continuidade do júri popular e reagiram às declarações da defesa do réu, que sustenta a tese de inocência e alega supostas irregularidades durante a investigação.
Família rebate defesa e cobra condenação
A tia de Débora, Rita de Cássia, criticou as falas do advogado de defesa e afirmou que a vítima foi submetida a extrema violência antes de morrer.
“Ela sim foi torturada. Quem teve a perna quebrada, quem foi asfixiada, quem levou socos e chutes foi a Débora”, declarou.
Ainda emocionada, a familiar afirmou que a defesa tenta descredibilizar as provas reunidas durante a investigação.
“Só falta dizerem que a Débora entrou lá sozinha e fez tudo consigo mesma. Isso é revoltante”, disse.
Pai afirma confiar na Justiça
O pai da jovem, José Júnior, também acompanhou a sessão e afirmou acreditar que o acusado será condenado.
“Minha filha sofreu demais. Foi ela quem foi torturada. Nós estamos aqui pela Débora, pelo Arthur e por todas as vítimas de feminicídio”, declarou.
Segundo ele, a família permanecerá no fórum até a leitura da sentença.
“Nós não vamos sair daqui enquanto não houver justiça”, afirmou.
Delegada e perito devem ser ouvidos
O julgamento segue com previsão de duração de até três dias. Nesta etapa, devem ser ouvidos a delegada Débora Barreiros, responsável pela investigação do caso, além do perito criminal que atuou na apuração.
A delegada participa do júri por videoconferência.
Gil Romero acompanha o julgamento presencialmente no plenário do Tribunal do Júri. A defesa afirma que irá apresentar elementos para provar a inocência do acusado.
Crime teve grande repercussão
Débora foi assassinada em 2023, quando estava grávida de oito meses do pequeno Arthur. Segundo as investigações, ela foi morta com extrema violência e teve o corpo ocultado em uma área no Distrito Industrial, em Manaus.
Meses depois, restos mortais do bebê também foram encontrados durante as buscas realizadas pelas autoridades.
O caso gerou forte repercussão no Amazonas e mobilizou movimentos de combate ao feminicídio no estado.

