
O deputado federal Fausto Júnior (União Brasil-AM) acionou as forças de segurança federais após se tornar alvo de um grave ataque cibernético e de intimidações. Na noite desta quarta-feira (20), o parlamentar registrou um boletim de ocorrência na Delegacia de Polícia Legislativa da Câmara dos Deputados, em Brasília, relatando ter recebido ameaças de morte direcionadas a ele e a seus familiares por meio de um número desconhecido no aplicativo WhatsApp.
Vazamento de dados e conteúdo criminoso
As ameaças ocorreram enquanto o parlamentar participava de sessões de votação no plenário da Câmara. De acordo com a assessoria de imprensa do deputado, as mensagens anônimas ultrapassaram as intimidações físicas e incluíram o compartilhamento indevido de dados pessoais e sigilosos do parlamentar e de seus parentes, uma prática conhecida no meio digital como doxxing.
O teor das mensagens foi classificado por Fausto Júnior como “doentio”. O criminoso enviou ao celular do deputado arquivos de vídeo contendo pornografia infantil e elementos de apologia ao nazismo. Para colaborar com o rastreamento do autor do crime, o deputado entregou o seu aparelho telefônico pessoal para perícia técnica da Polícia Federal, que tentará identificar a linha de origem e o endereço IP do emissor.
Reação intempestiva e justificativa política
Logo após deixar a delegacia, o deputado publicou um vídeo em tom inflamado em suas redes sociais. Visivelmente abalado com a situação, Fausto Júnior quebrou o protocolo parlamentar e respondeu diretamente ao agressor de forma incisiva.
“Eu quero dizer para o filho da puta que me mandou mensagem, aqui, me ameaçando de morte, ameaçando a minha família, que aqui não é o deputado que está falando. Aqui é o homem. Eu vou te pegar”, declarou no registro digital.
Mais tarde, em contato com veículos de imprensa, o político reconheceu que se excedeu na linguagem devido à forte indignação momentânea e informou que emitirá uma nota pública para contextualizar sua reação.
Apesar de evitar acusações formais antes do término das investigações periciais, o vice-líder do União Brasil levantou a suspeita de que o ataque possa ter motivação ideológica ou religiosa. Ele acredita que a forte presença de símbolos nazistas nas mensagens recebidas e o tom agressivo guardem relação direta com a sua atuação na bancada evangélica e sua participação ativa no grupo parlamentar de amizade Brasil-Israel. O caso segue sob segredo de apuração na Polícia Federal.

