
A pré-candidata ao governo do Amazonas Maria do Carmo Seffair e o deputado federal Capitão Alberto Neto, ambos do Partido Liberal (PL), minimizaram nos últimos dias as denúncias envolvendo o senador Flávio Bolsonaro e o banqueiro Daniel Vorcaro, reveladas pelo Intercept Brasil. Enquanto Maria do Carmo afirmou não ver “nenhuma irregularidade” na negociação de R$ 134 milhões para financiar o filme “Dark Horse”, Alberto Neto compartilhou vídeo em defesa da CPI do Banco Master, embora seu nome não aparecesse no relatório oficial de assinaturas da RCP 1/2026 disponível no sistema da Câmara dos Deputados.
A pré-candidata ao governo do Amazonas Maria do Carmo Seffair foi uma das primeiras figuras do PL amazonense a se manifestar sobre o caso. Em vídeo publicado nas redes sociais, ela afirmou que não viu “nenhuma irregularidade” no pedido de recursos feito por Flávio Bolsonaro a Vorcaro. Para Maria do Carmo, o episódio poderia representar apenas uma “tempestade provocada por conta de uma disputa eleitoral”.
As declarações ocorreram em meio ao avanço das investigações relacionadas ao Banco Master. Relatórios citados pela CPI do Crime Organizado, documentos de inteligência financeira do Coaf e apurações da Polícia Federal apontam suspeitas de fraudes bilionárias, operações com recursos públicos e movimentações financeiras ligadas ao grupo comandado por Vorcaro. As investigações também mencionam empréstimos consignados com indícios de irregularidades envolvendo aposentados e pensionistas do INSS, além de prejuízos em fundos de previdência ligados a servidores públicos.

Apoio público e ausência em requerimento da CPI
Outro nome do PL amazonense que saiu em defesa da investigação foi o deputado federal Capitão Alberto Neto. Nas redes sociais, o parlamentar compartilhou um vídeo em que Flávio Bolsonaro defendia a criação de uma CPI para investigar o caso Banco Master. A manifestação ocorreu poucos dias após a publicação da reportagem do Intercept Brasil envolvendo o senador e Daniel Vorcaro.
A repercussão aumentou após análise de um relatório oficial de conferência de assinaturas da RCP 1/2026, disponível no portal da Câmara dos Deputados. O documento trata da criação de uma CPI para investigar operações entre o Banco Master e o BRB. No relatório, o nome de Alberto Neto não aparecia entre os deputados signatários, embora outros parlamentares do PL, como Bia Kicis, General Pazuello e Gustavo Gayer, constassem no requerimento.
Após a publicação da informação, a assessoria de Alberto Neto encaminhou uma nota afirmando que o deputado assinou outro pedido de investigação, desta vez relacionado a uma CPMI. O material enviado pela assessoria foi apresentado como o “único pedido oficial já protocolado na Câmara dos Deputados”. O documento, porém, não apresentava número de protocolo ou identificação de tramitação pública para consulta nos sistemas legislativos.
A equipe do parlamentar também argumentou que outros requerimentos sobre o caso ainda estariam em fase de coleta de assinaturas e, por isso, não poderiam ser tratados como propostas oficialmente apresentadas. Após o envio da nota, novas buscas foram realizadas nos sistemas públicos da Câmara dos Deputados e do Senado Federal. Até a publicação desta reportagem, o documento encaminhado pela assessoria não havia sido localizado em tramitação oficial nas duas Casas Legislativas.

