A atleta contou ainda que, aos 16 anos, descobriu que outras meninas também seriam vítimas do treinador.

A atleta e campeã brasileira de jiu-jitsu Brenda Alves, de 27 anos, denunciou publicamente o treinador Melqui Galvão por abusos sexuais, agressões e tortura psicológica que teriam ocorrido ao longo de 14 anos.
O relato foi divulgado nas redes sociais da atleta nesta terça-feira (5) e amplia as investigações contra o treinador, que está preso preventivamente desde o dia 28 de abril, suspeito de abusar de outras seis alunas.
Atleta afirma que abusos começaram quando tinha 12 anos
Segundo Brenda Alves, os abusos começaram quando ela tinha apenas 12 anos e sonhava em seguir carreira profissional no jiu-jitsu.
A atleta afirmou que o treinador utilizava ajuda financeira, apoio esportivo e benefícios materiais para criar uma relação de dependência emocional e silenciamento.
De acordo com o relato, Melqui oferecia quimonos, inscrições em competições, bolsas de estudo e apoio com patrocinadores, até que passou a exigir algo em troca.
Brenda afirmou que os abusos ocorreram durante anos e que o medo dificultava qualquer reação.
“Namoro de fachada” teria sido usado para esconder crimes
A atleta contou ainda que, aos 16 anos, descobriu que outras meninas também seriam vítimas do treinador.
Segundo ela, para evitar suspeitas, Melqui teria obrigado a lutadora a manter um relacionamento com outro aluno da academia como forma de esconder os abusos.
Mesmo após se mudar para os Estados Unidos para disputar competições internacionais, Brenda afirmou que continuou sendo controlada e coagida pelo treinador.
Ela relatou que recebia mensagens constantes e sofria pressão psicológica para permanecer em silêncio.
Denúncia inclui agressões e perseguição profissional
Brenda Alves também afirmou ter sofrido agressões físicas e perseguição profissional ao tentar deixar a academia junto com o então namorado.
Segundo a atleta, o treinador teria entrado em contato com patrocinadores para romper contratos e prejudicar a carreira do casal no esporte.
A lutadora revelou ainda que a própria irmã também teria sido vítima de estupro cometido pelo treinador.
Investigação segue em segredo de Justiça
Melqui Galvão foi preso em Manaus, mas as investigações principais estão sendo conduzidas pela delegacia de Jundiaí, em São Paulo.
O caso ganhou repercussão após uma atleta de 17 anos denunciar abusos sofridos durante uma competição realizada na Itália.
Segundo a polícia, o treinador também é investigado por tentativa de ocultação de provas, incluindo invasão do celular da vítima e suposta oferta de vantagens financeiras à família da jovem para evitar denúncias.
Além de atuar como treinador de jiu-jitsu, Melqui Galvão era instrutor de defesa pessoal da Polícia Civil do Amazonas e foi afastado das funções.
O processo segue em segredo de Justiça e, até o momento, a defesa do treinador não se pronunciou sobre as novas acusações feitas por Brenda Alves.

