Polícia aponta erro médico e falhas graves no atendimento como causa da morte

A médica Juliana Brasil, a técnica de enfermagem Rayza Bentes e dois diretores do hospital Santa Júlia, em Manaus, foram indiciados pela Polícia Civil do Amazonas pela a morte do menino Benício Xavier de Freitas, de 6 anos, ocorrida no dia dia 22 de novembro de 2025 na unidade de saúde por overdose de adrenalina.
O inquérito da Polícia Civil do Amazonas aponta que a criança morreu após erro médico durante o atendimento.
Segundo o relatório final, o menino teve uma piora repentina no quadro clínico após a administração de uma dosagem inadequada de adrenalina, considerada incompatível com o tratamento indicado.
Medicamento foi aplicado de forma inadequada
De acordo com as investigações, Benício deu entrada na unidade de saúde com sintomas de laringite, mas recebeu uma dose elevada de adrenalina por via intravenosa — procedimento que não é o padrão para esse tipo de quadro clínico.
Após a aplicação, a criança apresentou agravamento imediato, com sintomas graves que evoluíram para insuficiência respiratória e, posteriormente, morte cerebral.
Quatro pessoas foram indiciadas
Após a investigação a Polícia Civil responsabilizou quatro pessoas pelo caso: a médica responsável pela prescrição, Juliana Brasil, a técnica de enfermagem Rayza Bentes que administrou o medicamento e dois diretores do hospital, Antonio Guilherme Macedo e Edson Sarkis Junior.
De acordo com a investigação, além do erro na aplicação da medicação, houve falhas nos protocolos de segurança e na supervisão da unidade de saúde, o que contribuiu diretamente para o desfecho fatal.
A médica foi indiciada por crimes como homicídio com dolo eventual, além de outras irregularidades apontadas durante o inquérito.


Caso gera debate sobre segurança hospitalar
O caso ganhou grande repercussão no Amazonas e levanta discussões sobre a segurança no atendimento hospitalar, especialmente em relação ao uso de medicamentos de alto risco.
Especialistas ouvidos durante a investigação destacaram a importância da checagem rigorosa de prescrições e da adoção de protocolos mais rígidos para evitar falhas semelhantes.
Processo segue para o Ministério Público
Com a conclusão do inquérito, o caso será encaminhado ao Ministério Público, que deverá avaliar a apresentação de denúncia à Justiça.
A família da vítima cobra responsabilização dos envolvidos e mudanças nos procedimentos hospitalares para evitar novos casos.

