
A permanência do tenente da Polícia Militar Osvaldo Lima da Silva na corporação passou a ser questionada após novos desdobramentos do caso de estupro que ele é acusado de cometer em Manaus. A Procuradoria da Mulher da Assembleia Legislativa do Estado (Aleam) afirmou que trabalha junto ao comando da Polícia Militar do Amazonas para que o policial seja excluído da instituição, diante da gravidade das acusações e do histórico apontado contra ele.
A declaração ocorre após a revelação de que a vítima, Tainara Soares, também teria sido alvo de um suposto esquema de coação, envolvendo tentativa de suborno e intimidação para que retirasse a denúncia. O caso ganhou repercussão e ampliou a pressão por medidas mais rígidas contra o policial.
Procuradoria cobra exclusão do policial
A presidente da Procuradoria da Mulher, a deputada estadual Alessandra Campelo, afirmou que a permanência do tenente nas ruas representa um risco à população. Segundo ela, já havia registros anteriores que poderiam ter evitado o novo crime.
“A gente está trabalhando junto ao comando da Polícia Militar do Amazonas para que esse homem seja excluído porque o outro estupro que ele cometeu já responde há mais de dois anos na justiça. Se esse homem tivesse saído das ruas a Tainara não teria sido vítima. Como é que um estuprador continua usando farda e abordando as pessoas na rua“, disse Alessandra Campelo.
A fala reforça a cobrança por responsabilização administrativa dentro da corporação, além do andamento do processo criminal.
Histórico agrava situação
O tenente Osvaldo Lima da Silva está preso desde o dia 7 de abril, quando se apresentou à polícia após ser apontado como autor de estupro contra a mulher de 25 anos. O crime teria ocorrido durante uma abordagem em um posto de fiscalização na rodovia AM-010.
A prisão preventiva foi decretada pela Justiça do Amazonas, que considerou a gravidade das acusações. O fato de o policial já responder a outro processo semelhante há mais de dois anos, conforme citado pela Procuradoria, intensifica as críticas sobre a permanência dele em atividade.
Para o órgão, a ausência de uma medida mais rápida pode ter contribuído para que novas vítimas fossem expostas ao risco.
Coação à vítima amplia gravidade do caso
Além da acusação de estupro, o caso ganhou novos contornos com a denúncia de que Tainara Soares teria sido alvo de um esquema de intimidação para desistir da denúncia.
Segundo relatos apresentados na Aleam, pessoas ligadas ao policial, incluindo sua companheira, teriam abordado a vítima sob falso pretexto de ajuda financeira. Ela teria sido colocada dentro de um carro e pressionada por mais de uma hora a mudar seu depoimento.
Durante a abordagem, conforme a Procuradoria da Mulher, houve ameaças e oferta de valores entre R$ 50 mil e R$ 100 mil para que a denúncia fosse retirada. Também foram relatadas restrições ao uso do celular, o que levanta suspeita de cárcere privado.
Esses elementos ampliam o escopo da investigação, que agora pode incluir crimes como coação, ameaça e tentativa de obstrução da Justiça.
Pressão por mudanças na corporação
Diante da repercussão, cresce a pressão para que a Polícia Militar adote medidas administrativas mais rigorosas. A exclusão do policial é vista como necessária não apenas para punição, mas também para evitar novos casos.
A Procuradoria da Mulher defende que a atuação preventiva é essencial em situações envolvendo agentes públicos acusados de crimes graves, especialmente quando há reincidência ou investigações em andamento.
O caso também reacende o debate sobre os mecanismos de controle interno das forças de segurança e a rapidez na adoção de medidas disciplinares.

