
A indicação da primeira-dama de Tefé, Grace Kelly Gonçalves Barbosa, como primeira suplente na chapa do senador Plínio Valério (PSDB), foi anunciada em 28 de março de 2026, durante evento na zona rural do município. A escolha ocorre após o envio de ao menos R$ 594 mil em emendas PIX à prefeitura em 2025, em um cenário de falta de transparência nas contas públicas e histórico de nepotismo na gestão local.
Os registros mostram que o Ministério da Fazenda realizou dois pagamentos ao Município de Tefé sob a rubrica “EC105 – Transferências Especiais”, modalidade conhecida como emenda PIX. O primeiro repasse, de R$ 346.500,00, foi efetuado em 9 de setembro de 2025, seguido por outro de R$ 247.500,00 em 1º de outubro do mesmo ano. As ordens bancárias identificadas confirmam o envio direto dos recursos à gestão do prefeito Nicson Marreira Lima.
Apesar da entrada dos valores, consultas ao Portal da Transparência do município, realizadas em 30 de março de 2026, apontam lacunas relevantes. A seção de Relatório Anual de Controle Interno não apresentava dados disponíveis, enquanto os registros de receitas públicas estavam desatualizados, com informações mais recentes datadas de julho de 2021. Esse cenário deixa os repasses mais recentes fora do alcance imediato de fiscalização social.

Aliança política após repasses
A cronologia dos fatos indica que, meses após os repasses, o senador Plínio Valério anunciou, em 28 de março de 2026, a escolha de Grace Kelly Gonçalves Barbosa, primeira-dama de Tefé, como sua primeira suplente. O anúncio ocorreu durante um evento na zona rural do município, consolidando uma aliança política com a gestão local em um dos principais colégios eleitorais do Médio Solimões.
A figura da suplente já havia sido alvo de decisão do Tribunal de Contas do Estado do Amazonas, que julgou procedente denúncia de nepotismo envolvendo a prefeitura. Em agosto de 2022, o órgão multou o prefeito em R$ 13.654,39 por nomear sua esposa como secretária de Assistência Social, além de outros parentes para cargos públicos.
No voto, o relator destacou que, no caso da nomeação da primeira-dama, “não houve comprovação de qualificação técnica” para o exercício do cargo político. A decisão também apontou a nomeação de uma sobrinha e de um sogro do prefeito, configurando violação aos princípios da administração pública

