Broncoaspiração, refluxo e apneia do sono podem ter contribuído para o agravamento do quadro de saúde do ex-presidente

Rede Onda Digital acompanha as informações sobre o estado de saúde do ex-presidente da República, Jair Bolsonaro, internado na Unidade de Terapia Intensiva do Hospital DF Star, em Brasília, desde a manhã de sexta-feira (13/3), com diagnóstico de broncopneumonia bacteriana bilateral.
Nossa equipe de reportagem consultou o médico pneumologista David Luniere, que avaliou o quadro clínico de Bolsonaro, Segundo o especialista, a condição está relacionada a um processo de pneumonia broncoaspirativa, situação em que conteúdos do trato digestivo acabam sendo aspirados para os pulmões, provocando inflamação e favorecendo infecções.
De acordo com Luniere, o histórico clínico do ex-presidente pode ter contribuído para o agravamento do quadro. Ele explica que o trauma abdominal provocado pela facada sofrida por Bolsonaro em 2018, durante a campanha presidencial pode ter alterado o trânsito intestinal e favorecido episódios de refluxo e crises de soluço. Essas condições, especialmente quando o paciente está deitado, aumentam o risco de microaspiração do conteúdo gástrico para as vias respiratórias.
O médico também destaca que Bolsonaro possui histórico de Apneia do Sono, doença caracterizada por pausas na respiração durante o sono.
“Essas pausas respiratórias elevam a pressão intratorácica e abdominal, o que pode favorecer ainda mais episódios de broncoaspiração durante a noite. Talvez ele não esteja usando o aparelho CPAP [Continuous Positive Airway Pressure], que é um equipamento indicado para pacientes com apneia do sono para manter as vias aéreas abertas durante o descanso”.

Luniere explica que, quando ocorre a microaspiração, o material aspirado provoca inicialmente um processo inflamatório nos pulmões. “A presença de micro-organismos presentes no ar, como vírus, fungos e bactérias, encontra então um ambiente favorável para proliferação, levando ao desenvolvimento da pneumonia”, detalhou.
Segundo o pneumologista, o quadro infeccioso pode evoluir para Sepse, situação em que a resposta inflamatória do organismo se espalha pelo corpo e passa a comprometer o funcionamento de diversos órgãos. No caso do ex-presidente, o médico afirma que já há indícios de comprometimento sistêmico, com impacto na função renal.

