
Dez policiais militares do Batalhão de Ações com Cães (BAC) foram denunciados pela 2ª Promotoria de Justiça junto à Auditoria da Justiça Militar, do Ministério Público do Estado do Rio, pelos crimes de obstrução de câmeras corporais e invasões ilegais a residências. Os delitos foram praticados no dia 28 de outubro de 2025, durante a Operação Contenção, nas comunidades do Complexo do Alemão e da Vila Cruzeiro.
Imagens das câmeras corporais dos uniformes dos PMs obtidas pela TV Globo mostram os policiais abrindo a porta de um imóvel com uma chave micha — que abre portas sem a chave original. Sem conseguir abrir, ele usa um facão para terminar de abrir. Em outra imagem, os policiais entram em uma residência, abrem a geladeira e se servem com água gelada e um energético.
Um subtenente, seis sargentos, um cabo e dois soldados foram denunciados.
— Ordinariamente ninguém pode entrar na casa de ninguém sem ordem judicial, a não ser em duas hipóteses: no caso de flagrante delito, um crime acontecendo no itnerior daquela casa, ou em situação de legítima defesa — afirmou o promotor Paulo Roberto Mello Cunha Júnior ao RJTV.
Uma das denúncias descreve que cinco PMs desrespeitaram ordem superior ao manipular as câmeras operacionais portáteis (COPs), de uso obrigatório, de forma a impedir ou prejudicar a captação de imagens durante a operação. A análise das gravações das próprias câmeras corporais demonstrou que, em vários momentos, os equipamentos foram posicionados de forma inadequada e direcionados para locais que impediam a visualização.
— Esse é um comportamento, infelizmente, bastante comum quando o policial se dispõe a praticar atos ilícitos. O Ministério Público entende que é uma conduta grave, porque indicia a intenção de praticar outros crimes. Se não, por que o policial iria obstruir deliberadamente a câmera? — indagou o promotor ao RJ2.
A 2ª Promotoria de Justiça junto à Auditoria da Justiça Militar denunciou esses mesmos cinco policiais militares, na companhia de outros cinco PMs, pela invasão de residências e estabelecimentos comerciais sem autorização judicial ou consentimento dos moradores. O documento relata que os policiais utilizaram ferramentas como chaves micha, facões e chaves de fenda para invadir os imóveis. Em alguns casos, as tentativas de invasão não foram consumadas porque os agentes não conseguiram abrir os portões. As imagens analisadas pelo MPRJ mostram, ainda, que alguns agentes circularam pelos cômodos das casas, vasculharam objetos e consumiram produtos que estavam na geladeira.
Outras denúncias
O MPRJ, por meio das Promotorias de Justiça, já ofereceu outras seis denúncias junto à Auditoria de Justiça Militar, relacionadas a ilegalidades praticadas durante a Operação Contenção, contra nove policiais militares denunciados.
Entre os casos já denunciados estão a apropriação de um fuzil encontrado em uma residência no Complexo do Alemão, o furto de peças de um veículo na Vila Cruzeiro, invasões de domicílio, constrangimento de moradores e a subtração de bens durante diligências policiais, além de tentativas de obstrução ou desligamento das câmeras corporais. Com as atuais denúncias sobe para um total de oito denúncias contra 19 PMs por práticas de irregularidades.

