Investigação aponta possível lavagem de dinheiro e ligação com empresa fantasma para compra de drogas na fronteira;

A ex-servidora pública da Prefeitura de Manaus, Anabela Cardoso Freitas, foi presa na última sexta-feira (20) durante a Operação Erga Omnes, deflagrada pela Polícia Civil do Amazonas (PC-AM).
Segundo relatório que embasou a decretação da prisão de 24 pessoas, ela realizou uma transferência bancária de R$ 1.351.942,00 ao empresário Alcir Queiroga Teixeira Junior, apontado nas investigações como integrante do núcleo de agentes públicos de um grupo criminoso.

De acordo com o documento policial, a movimentação financeira é considerada atípica e incompatível com a renda da investigadora, que atualmente estava cedida à Prefeitura de Manaus. O valor transferido se tornou um dos principais eixos da apuração por possível lavagem de dinheiro vinculada à organização.
Relatório do Coaf e empresa “fantasma”
A transação consta no Relatório de Inteligência Financeira (RIF) nº 132265, produzido pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), que analisou movimentações globais superiores a R$ 73 milhões relacionadas à rede investigada.
No documento, Anabela aparece como “Principal Envolvido”, termo utilizado para indicar pessoas físicas ou jurídicas sobre as quais recaem indícios mais sólidos de irregularidade financeira.
O dinheiro foi transferido para Alcir, identificado como proprietário da empresa Revoar Turismo. Segundo a Polícia, a empresa é classificada como “fantasma”.
Diligências apontaram ausência de sede física real e inexistência de presença ativa na internet. Consultas às companhias aéreas GOL Linhas Aéreas e LATAM Airlines indicaram que não houve emissão de passagens entre 2021 e 2025.
Além disso, consultas a cartórios de Manaus não identificaram compra ou venda de imóvel que pudesse justificar a transferência milionária. Para os investigadores, a ausência de lastro documental reforça a hipótese de ocultação de ativos.
Destino dos recursos
Segundo a investigação, os valores teriam sido destinados a empresas de fachada abertas pelo grupo para viabilizar a compra de drogas na região de fronteira entre Brasil e Colômbia, especialmente no município de Tabatinga. A movimentação financeira foi identificada a partir de informações fornecidas pelo Coaf.
O relatório classifica a situação como “extremamente preocupante” e destaca que as diligências continuam para aprofundar o contexto das remessas consideradas atípicas.
Vínculos institucionais

Anabela é investigadora da Polícia Civil, mas estava cedida a Prefeitura de Manaus, onde exercia a função de coordenadora do gabinete pessoal, cargo considerado estratégico. Ela também já havia sido cedida anteriormente à Assembleia Legislativa do Estado do Amazonas (Aleam).
Em 2017, foi nomeada para o cargo de diretora-geral adjunta. Posteriormente, assumiu interinamente a diretoria-geral.
Nota da Prefeitura
Após a deflagração da operação, a Prefeitura de Manaus divulgou nota afirmando que não é alvo da ação policial.
“Conforme informado pelas próprias autoridades, nem o prefeito David Almeida nem a estrutura administrativa do município integram o objeto da investigação”, diz trecho do comunicado.
A administração municipal também afirmou que qualquer servidor eventualmente investigado responderá individualmente por seus atos, “sem prejuízo do funcionamento regular da máquina pública”, e classificou como “inaceitável” tentativas de uso político do caso.
As investigações seguem sob responsabilidade da Polícia Civil do Amazonas (PC-AM)

