Investigação sobre fraude no INSS apura relação entre lobista conhecido como Careca do INSS e o filho do presidente Lula.

De acordo com os dados analisados pela PF, no dia 6 de outubro de 2024, o lobista enviou a um funcionário o print de uma conversa contendo o endereço de um prédio residencial localizado no bairro de Moema, na zona centro-sul da capital paulista. Na mensagem, ele solicita a entrega de um “medicamento” no local e orienta que o nome de Renata Moreira, esposa de Lulinha, conste como destinatária da encomenda.
O apartamento onde a entrega foi realizada pertence formalmente ao empresário Jonas Leite Suassuna Filho, ex-sócio de Lulinha, conforme registros cartoriais. O imóvel fica na rua Juriti, em uma área considerada nobre de São Paulo. À época, Lulinha e a esposa residiam no bairro antes de deixarem o Brasil em meados do ano passado.
A Polícia Federal investiga se Lulinha teria algum tipo de vínculo oculto com o Careca do INSS, apontado como um dos principais operadores do esquema de fraudes previdenciárias. As menções ao nome do filho do presidente Lula surgiram após a quebra de sigilo de investigados ligados ao lobista, que está preso desde setembro. As referências aparecem em pelo menos três núcleos de dados analisados pela corporação.
Em manifestação, o advogado Marco Aurélio de Carvalho afirmou que Lulinha não tinha conhecimento da encomenda entregue no endereço e destacou que ele sequer era o destinatário. Segundo o defensor, não existe qualquer relação comercial ou societária entre Lulinha e o Careca do INSS, classificando as suspeitas como uma tentativa de envolvê-lo indevidamente nas investigações. A defesa do lobista não se manifestou, e o empresário Jonas Leite Suassuna Filho não foi localizado.
As apurações também indicam proximidade entre o lobista e pessoas do círculo social de Lulinha. Documentos apontam que Antonio Antunes teria transferido cerca de R$ 1,5 milhão para a empresária Roberta Luchsinger, amiga pessoal de Lulinha e de Renata Moreira. Em uma das transferências, o lobista teria indicado que o valor seria destinado ao “filho do rapaz”, o que levantou suspeitas entre os investigadores.

