As imagens e documentos foram tornados públicos um dia antes do prazo final para que o governo Trump libere oficialmente os arquivos completos

A nova leva de arquivos divulgada por democratas do Congresso dos Estados Unidos lança luz sobre a amplitude da rede de relacionamentos de Jeffrey Epstein, envolvendo nomes do alto escalão da tecnologia, do cinema e da política internacional. As imagens e documentos foram tornados públicos um dia antes do prazo final para que o governo Trump libere oficialmente os arquivos completos da investigação.
Entre os registros estão fotografias que mostram Epstein ao lado de figuras conhecidas, além de documentos de viagem internacionais, passaportes de mulheres e mensagens que sugerem a contratação de jovens por valores em dinheiro.

Em cinco imagens específicas, uma jovem aparece com trechos do livro Lolita, romance de Vladimir Nabokov, escrito em partes do corpo — obra frequentemente associada a debates sobre abuso e exploração. A obra trata da obsessão de um homem por uma menina de 12 anos e do abuso sexual que ela sofre.

Os democratas afirmam que o material foi selecionado para oferecer ao público uma amostra representativa do conteúdo do acervo e permitir maior compreensão sobre as atividades e conexões do bilionário. “Essas imagens levantam ainda mais questões sobre Epstein e seus relacionamentos com alguns dos homens mais poderosos do mundo”, disse o deputado Robert Garcia.
Entre os nomes que aparecem em diferentes momentos do acervo estão Bill Gates, Woody Allen, Steve Bannon, Larry Summers, Noam Chomsky e o príncipe Andrew, além dos ex-presidentes Donald Trump e Bill Clinton, que já haviam surgido em divulgações anteriores. Nenhuma das fotos, segundo o comitê, mostra atividades ilegais cometidas diretamente por essas pessoas.
Donald Trump
Trump aparece em fotografias feitas em ambientes sociais, ao lado de Epstein e de mulheres cujos rostos foram ocultados. Os registros já haviam sido parcialmente divulgados em lotes anteriores e voltaram ao centro das atenções com a liberação de novos materiais às vésperas do prazo judicial para a abertura completa do acervo.

Parlamentares democratas ressaltam que as fotos não comprovam qualquer atividade ilegal por parte de Trump, mas afirmam que elas ajudam a ilustrar o alcance social e político da rede de relações mantida por Epstein ao longo dos anos. O presidente já reconheceu publicamente que teve contato social com o bilionário no passado, mas sustenta que rompeu a relação anos antes das primeiras acusações formais.
Outro eixo das revelações envolve a ilha de Little Saint James, nas Ilhas Virgens dos EUA, adquirida por Epstein em 1998. Novas imagens mostram cômodos da residência, áreas de reforma e objetos pessoais, reforçando a centralidade do local nas investigações sobre os crimes atribuídos ao bilionário.
O Departamento de Justiça tem até 19 de dezembro para divulgar a totalidade dos arquivos, após sanção de uma lei aprovada pelo Congresso. Parlamentares prometem continuar liberando novas imagens nas próximas semanas.

